Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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19/12/2006

CULTURA

Livraria Cultura
põe Toby na estante
e na rede

A Livraria Cultura está vendendo os livros da Coleção Toby, de Gisele Pecchio. O mais convidativo é o preço. Por menos de dez reais pode-se presentear uma criança com um livro da coleção que está dando o que falar porque é a primeira no formato acessível, podendo ser adquirida em tinta ou braile, este último com disco em Mp3 com as duas primeiras estórias da coleção. O site da Livraria Cultura oferece a ferramenta de opção e-compra aos formatos tinta e braile+CD. Mas por e-mail, telefone ou pessoalmente, numa das lojas, pode-se comprar qualquer um desses formatos ou outro que for acordado com a livraria e a autora, para quem "a prioridade é fazer o livro cumprir a sua missão nas mãos do leitor". O diferencial da Cultura é a venda pela Internet, por meio do site, com pagamento por boleto bancário ou cartão de crédito. A credibilidade do serviço é a entrega personalizada, rápida e barata, incluindo a remessa do livro ao destinatário e a nota fiscal ao comprador. A livraria ainda faz acompanhar o livro um cartão com mensagem digitada pelo comprador, no próprio site, sem custo adicional. Um sistema ideal para presentear com elegância e economia, eliminando do orçamento despesas com deslocamentos.

Livraria Cultura - São Paulo (Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2.073; Shopping Villa Lobos - Av. das Nações Unidas, 4.777; Morumbi - Market Place Shopping); Porto Alegre (Bourbon Shopping Country - Av. Túlio de Rose, 80); Brasília (CasaPark Shopping Center - SGCV Sul, Lote 22); Recife (Paço da Alfândega - Rua Madre de Deus, s/n).

Livros da Gisele Pecchio à venda
na Livraria Cultura
www.livrariacultura.com.br

. Um par de asas para Toby

. Toby e os Mistérios da Floresta


OPINIÃO


Algumas manifestações
recebidas pela autora

"Um livro que as crianças cegas também podem ler. Pela sinópse, gostei muito de saber que a autora também oferece este livro em braile e em audiolivro no formato Mp3 para as crianças cegas. Felicito a Gisele Pecchio e a Livraria Cultura pela iniciativa. Espero que seja a primeira de muitas e muitas outras. Paulo Romeu Filho, em www.livrariacultura.com.br

"Parabéns à Livraria Cultura, que mais uma vez demonstra, na prática, seu compromisso com a Educação e a Cultura para todos. Espero que essa atitude seja ampliada, possibilitando o acesso de crianças com e sem deficiência ao universo mágico da imaginação. Estudos mostram a importância da fantasia e da imaginação para a formação da personalidade do ser humano. Até o momento, as crianças com alguma limitação de visão têm esse desenvolvimento truncado. Muitas só vão conhecer livros quando são alfabetizadas. Mas, e o momento anterior? Como leitora voraz (o primeiro presente que ganhei, quando minha mãe anunciou a gravidez, foi um livro de pano, com figuras) e fã da Livraria Cultura, fiquei muito feliz ao saber dessa iniciativa. Espero que ela se amplie e atinja cada vez mais crianças, em todos os formatos possíveis. Parabéns à Gisele e à Livraria Cultura! Marta Gil

"Muito me apraz a sua idéia de produzir o seu livro com a garantia de acessibildiade para todas as pessoas, inclusive as leitoras do sistema braile, como é o meu caso. Apresento-lhe os meus parabéns, torcendo fervorosamente para que os demais escritores copiem a sua idéia, fazendo com que as pessoas desprovidas da visão ocular possam também usufruir do acesso às novas publicações literárias em nossos país". Geraldo Feitosa

"Primeiramente parabéns pela iniciativa dos livros acessíveis. Sou brasileira e trabalho em Portugal, na área da Acessibilidade, desde 2001. Gostaria de saber como adquirir seus livros em braile e Mp3. Há possibilidade de comprar na Livraria Cultura de Recife?" Ana Flavia Coutinho CERTIC/UTAD

"Por causa de gente como você eu continuo acreditando que o mundo será cada vez melhor. Obrigado! Além de difundir a tua louvável iniciativa na lista de membros do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Pernambuco - CONED, apresentei-a ao vivo, hoje, na XXI Reunião Plenária. Antônio Muniz

"Também quero te parabenizar pela brilhante iniciativa! É exatamente através de gestos como o teu, que vão se rompendo as barreiras da comunicação e, um dia, o cego irá poder fazer leituras de forma autônoma, sem ajuda de intermediários. Muito sucesso em tua nova investida!Naila Maria de Oliveira

"Já fiz o pedido para presentear minha filha. Estranhei apenas que não há campo para optar pelo formato impresso, braille ou MP3..." Cleide Ramos

"Sou mãe de uma garotinha cega que tem 4 anos e gostaria de parabenizar a autora Gisele Pecchio pela sua preocupação em escrever livros para todas as crianças, atendendo a necessidade diferente de leitura que possuem aquelas que não enxergam. Espero que essa iniciativa possa ser tomada como exemplo por outros autores de literatura infantil para que outros livros como esse possam chegar ao mercado editorial e crianças como a minha filha possam de fato ser estimuladas à leitura, da mesma maneira que as demais que têm à sua disposição uma farta oferta de títulos infantis. Nota 10 para a autora e nota 10 para a Livraria Cultura". Rosangela Gera, médica, Colatina-ES

10/12/2006

ANO NOVO

Um novo olhar sobre 2007

Venho de um lugar tão lindo como o brilho que trago no olhar.
No meu olhar se pode ver refletido o azul do céu.
Pode-se ver, também, o azul das águas do mar do lugar de onde venho.
No céu do meu lugar brincam os amigos pássaros da esquadrilha da fumaça.
Tenho um amigo índio de nome Ypê.
Como eu, o menino Ypê também é filho da Juréia. Nossa mãe nos acolhe a todos em seu majestoso condomínio de mata verde e fresca.
Lá, habitam seres misteriosos. Eles guardam tesouros invisíveis para quem não lê com olhar de vaga-lume. Os vaga-lumes enfeitam o céu quando a noite deita sobre o lugar de onde venho.
Meu olhar tem um brilho lindo como é lindo o meu lugar.
Do meu olhar se pode ver refletido o amor e a inteligência do Criador.
Sou pequenino, mas tenho o porte altivo dos filhos do lugar de onde venho.
O lugar de onde venho pequenino e altivo inspira lendas, estórias e projetos pioneiros para o meu país.
Sou um cão caiçara, filho da Juréia.
Inspirei a primeira coleção de livros para crianças em formato acessível.

Feliz Ano Novo!
Que em 2007 eu possa me ver refletido no seu olhar.






29/11/2006

NATAL

Para ouvir ou ler com
os olhos e os dedos

Sem saber que estava dando passo pioneiro na acessibilidade ao livro, em 2003 lancei Um par de asas para Toby em tinta, braile, áudio (MP3) e na web, pela Rede Saci-USP.
A transcrição e impressão no sistema braile é do Instituto de Cegos Padre Chico, para o qual é revertido o valor total das vendas de livros em braile.
O projeto independente se transformou na Coleção Toby, livros paradidáticos, que já está no vol.III.

Quem é Toby?

É um cão amigo dos pássaros da esquadrilha da fumaça que habitam as matas da Serra dos Itatins, Juréia. Ele inspirou a primeira coleção de livros para crianças, em formato acessível.

Os livros

aAs edições em tinta ou Mp3 de Um par de asas para Toby e Toby e os Mistérios da Floresta saem a R$9,90 cada, com dedicatória, desenho para colorir, embalagem em papel para presente e postagem. Também disponíveis em braile.

NESTE NATAL,
PRESENTEIE COM LIVROS DA COLEÇÃO TOBY.
DÊ UMA FORÇA PARA ESSA IDÉIA.

Para encomendar livros, palestras gratuitas ou falar comigo:
gisele.jorn@uol.com.br
tel.: 11-8933 6030

26/11/2006

LANÇAMENTO [Coletânea da Rádio CBN]


Conte sua história de São Paulo, Editora Globo. Coletânea de crônicas dos ouvintes do Programa CBN São Paulo, organizadas pelo radialista e âncora Milton Jung. O lançamento aconteceu em 28/11/06, na Livraria Cultura - avenida Paulista.
Foto-legenda: Gisele, aos 7 anos. Festa junina no então 2º Grupo Escolar de Osasco (SP). Convite do lançamento.

A bendita enfermeira Benedita

Por Gisele Pecchio Dias

A minha história começou na Maternidade de São Paulo, na mais fria noite de São João que os meus pais enfrentaram na Capital. Eles me contaram que naquela noite, no mesmo instante em que eu vim ao mundo, um balão com a tocha ainda acesa caiu no quintal da casa onde morávamos, na rua Albuquerque Lins, Barra Funda.
No mesmo instante em que o balãozinho de São João pousava manso sobre o piso gelado do quintal da nossa casa, nascia uma menina gorducha, cabeluda e muito chorona, que não cabia na caixinha do berçário, caixinha essa onde os bebês são colocados feito uns pãezinhos, um ao lado do outro, quando nascem.

Passados 17 anos, desde o meu nascimento, voltei à rua Frei Caneca para estudar no Colégio Etapa. Passava todas as manhãs pela calçada da Maternidade de São Paulo, onde testemunhei os passos largos e apressados de seu exército de médicos e enfermeiros, com suas roupas sempre alvas.

Num daqueles dias, sentou-se ao meu lado, no ônibus, a enfermeira Benedita. Ela achou bonito o meu sorriso e os meus cabelos e pôs-se a conversar comigo. Durante a conversa, uma revelação que jamais esquecerei: Benedita era uma das enfermeiras que assistiu ao meu parto. Ela lembrou-se do nome da mamãe, que se chama Fany Pecchio, e de uma particularidade: eu era gorducha, tinha cabelos negros e densos e não cabia na caixinha do berçário. Disse-me que sugeriu à minha mãe que eu me chamasse Joana, por ter nascido naquela noite especial, de São João. Mas meus pais resolveram que seria Gisele o meu nome.

Antes de saltar do ônibus, a enfermeira Benedita tirou uma aliança de prata de um dos dedos da mão esquerda e deu-me como lembrança. Jamais esqueci do olhar e das mãos daquela anciã que me trouxe ao mundo. Jamais deixarei de me emocionar quando caminhar pela rua Frei Caneca e me lembrar que a minha história com São Paulo começou ali, em 24 de junho de 1959, numa das salas de parto da Maternidade de São Paulo, onde nasceram ricos e pobres, de muitas gerações, em igualdade de condições que hoje já não mais há na Medicina. Nem a Maternidade de São Paulo existe mais. Ela estaria hoje com 112 anos se não tivesse falido após longa agonia, sem qualquer socorro por parte daqueles que trouxe ao mundo, entre eles grandes empresários e políticos. Seu prédio será sepultado para sempre e no terreno onde nasceram tantos deverá ser erguido mais um espigão de concreto. Conte sua história de São Paulo, Editora Globo, capítulo I, pág. 35

(*) Gisele Pecchio Dias é jornalista e escritora infantil, autora da Coleção Toby – Livros Acessíveis.

25/11/2006

Ficção e Realidade
















Toby versus Tobby

Sobre o time de futebol para o qual Tobby torce, Cibele [dona do cão] garante que é para o São Paulo.
Tobby é tetracolor!
A personagem Toby, no entanto, é um corredor da Baixada Santista e como tal só poderia ser um ardoroso fã do Santos Futebol Clube, como a maioria dos cidadãos nascidos e criados em Peruíbe e demais cidades deste bonito trecho do litoral paulista.
Toby é o goleiro do time dos meninos que jogam pelada na praia do Arpoador.
Adora estar entre as crianças, de todos os times e credos.
Defende a valorização da cultura local e regional como o princípio da identidade pessoal.
Para ele, entender e valorizar os elementos da natureza do local onde se vive antecede toda e qualquer valorização de elementos culturais externos.
Toby crê numa boa dose de auto-estima para enxergar os próprios valores e as riquezas do lugar onde se vive para depois entender e amar, verdadeiramente, a diversidade contida no imenso território brasileiro.

Autora em Peruíbe [primeiro contato]

Tobby é manchete de O Mirante, em 12/11/06,
em entrevista com a autora da Coleção Toby,
na casa de Cibele e Orlando, os donos do cão
que inspirou a personagem-símbolo da obra
de Gisele.













Primeiro contato com educadores de Peruíbe

Fiz a minha parte com dignidade, mas os resultados da jornada não dependerão só de mim.
Não moro em Peruíbe, mas enxerguei nos elementos simples da bela natureza do portal da Juréia a inspiração para o meu trabalho.
Para enxergar a glória e a beleza do local onde se vive, é preciso uma dose de auto-estima e orgulho próprio.
Espero ter dado a minha contribuição para o povo de Peruíbe fortalecer ainda mais a sua própria identidade pessoal e cultural.
O reconhecimento e a valorização próprios devem anteceder a valorização dos elementos externos.
Somente o compromisso com o belo contido na perfeição da obra de Deus para minimizar as pequenezas deste mundo, às quais nos apegamos tanto a ponto de nos entristecermos e nos aborrecermos de vez em quando...
Como é bom crer que há uma luz que além de nos guiar nos traz o conforto para a alma.
Como é bom amar a Deus e a sua obra tão magnífica.
Como é bom enxergar em Toby, um simples "cão caiçara", como bem definiu o amigo e escritor Marco Asa, diretor do jornal O Mirante [Peruíbe e Baixada Santista] um irmãozinho de jornada capaz de nos encorajar a construir um trabalho em condições tão injustas e nada igualitárias.

24/11/2006

WEB NOTÍCIAS

Nos links abaixo, você lê algumas notícias sobre o trabalho autoral da Gisele Pecchio, que escreveu a primeira coleção de livros para crianças em formato acessível (tinta, braile, MP3 e na web, pela Rede Saci-USP). Os livros são editados pela própria autora, que é jornalista. As ilustrações são do desenhista José Carlos Mecchi. As transcrições e impressões em braile são do Instituto de Cegos Padre Chico, para o qual a autora doa integralmente o valor das vendas de livros em braile.

http://www.revistanocao.com.br/edicao12/enciclopedia.htm

http://www.wmulher.com.br/template.asp?canal=mulheres&id_mater=2632

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=381AZL004

21/11/2006

Artigo [Leitura]

Leitura: o caminho para a inclusão

No dizer do educador Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra e a leitura dessa implica, sempre,na continuidade da primeira.

Esse poderoso estimulante, que é a leitura, se reveste de significado ainda maior para as crianças cegas ou com baixa visão.
Para elas, esse fio condutor ao mundo imaginário, tão necessário ao desenvolvimento saudável, pode ser ainda mais valorizado adicionando um toque de amor aos tradicionais livros em braile.
Eles deverão conter aromas, relevos e ilustrações em papéis de diferentes texturas.
E tudo isso poderá ser feito numa divertida oficina de artes, pelas mãos de pais, alunos e professores.
Falo das crianças cegas e com visão subnormal porque deficiente é a sociedade incapaz de possibilitar os meios necessários para que todos os cidadãos tenham acesso à informação.
Deficiente é a indústria do livro que ignora e os governos que se omitem, pela absoluta incapacidade de enxergar as necessidades de parcela importante da população.
Sem falar da ausência de motivação para ousar romper com o tradicional e buscar novas formas de ler o mundo pela leitura da palavra. É mais cômodo dizer que “a criança não gosta de ler” para justificar a pouca motivação para o trabalho inovador. Motivar para a leitura exige esforço e criatividade.
Certa vez, visitei uma escola pública tida como “modelo” numa cidade da Grande São Paulo.
Para o meu espanto, a coordenadora pedagógica da escola disse-me que tinha mil livros do PNLD guardados num armário e que em breve chegariam mais 400. Daí perguntei-lhe porque aqueles livros estavam ali e não nas mãos dos professores e dos alunos. Foi quando ela respondeu-me que “as crianças não gostam de ler”.
Enquanto sobram livros nas mãos de uma minoria preguiçosa, um número muito maior de professores, com disposição para servir – porque a vocação para servir precede a arte de educar – aguarda pelos livros que demoram para chegar.
No caso dos livros em braile, é uma espera infinita e quando chegam não surpreendem porque são feios e pesados, sem qualquer atrativo.
O Brasil tem 159.823 cegos e 2.398.471 pessoas com grande dificuldade permanente de enxergar num universo de 16.573.937 pessoas com algum tipo de dificuldade para enxergar, segundo dados do último censo do IBGE. Fontes da área médica apontam um universo muito maior. Fala-se em mais de 1 milhão de cegos e cerca de 5 milhões de pessoas com visão subnormal, no Brasil.
Os cegos são privados até de ler porque não há livros em formato acessível para serem adquiridos por eles nas livrarias e na maioria das bibliotecas. Faltam livros digitalizados e não são transcritos e impressos livros em braile em quantidade suficiente para atendê-los.
As leis são antiquadas e dificultam ainda mais a inclusão e a cidadania porque não possibilitam os mesmos direitos aos não videntes. Mesmo que desejem, cegos não podem comprar os livros da sua preferência porque a venda é proibida no formato braile (por isso são raros) e no formato digital as editoras alegam problemas com a suposta pirataria. Como se os livros em tinta não pudessem ser pirateados...
O cego também é privado de trabalhar e viver da produção cultural porque os livros em braile são rejeitados pela indústria do livro. Não geram lucro. É o lucro que possibilita investimentos e geração de empregos.
Quem mais sofre são as crianças em processo de alfabetização. São raros os livros infantis em braile. E o braile é o sistema pelo qual elas são alfabetizadas.
O cego adulto que consegue estudar e trabalhar num sistema tão desigual e injusto é um grande vitorioso. Poderá contar com a informática para ler e se informar.
Mas os primeiros passos sempre serão dados pelo sistema braile. Por maiores que sejam os avanços tecnológicos, a leitura da palavra no papel, pelos olhos ou pelo toque dos dedos, jamais perderá o seu lugar. gisele.jorn@uol.com.br

(*) Gisele Pecchio Dias é jornalista, autora dos livros Um par de asas para Toby, Toby e os mistérios da Floresta e Raycha – uma aventura na Amazônia (em produção), que fazem parte da Coleção Toby, disponível em tinta, braile e CD-Mp3.

Pedidos de livros, palestras e contatos com a autora pelo e-mail: gisele.jorn@uol.com.br

Um par de asas para Toby
conta a história real de um cão e seus amigos pássaros numa praia da Juréia. Incentiva a posse responsável dos bichos de estimação e a adoção de animais. O protagonista é um cão vira-lata que sabe fazer amigos e é livre como os pássaros da esquadrilha da fumaça, com quem brinca todos os dias. 32 págs coloridas, com ficha de leitura. À venda na Livraria Cultura www.livrariacultura.com.br

Toby e os mistérios da Floresta

apresenta o menino índio Ypê, outro companheiro de aventura do cão, que lhe possibilita realizar o sonho de voar mais rápido que os pássaros e conhecer um pouco mais a rica biodiversidade da Mata Atlântica Brasileira, um dos maiores patrimônios da humanidade, ameaçado de extinção. 28 págs coloridas, com ficha de leitura. À venda na Livraria Cultura.


Em preparação, para lançamento em formato acessível...
RaYcha – uma aventura na Amazônia
O encontro do Xeique na última grande floresta tropical do planeta com o protagonista da série e seus amigos, entre eles a menina Laura e a sua cachorra-guia RaYcha, durante o Círio de Nazaré, em Belém (PA). Uma homenagem aos povos da Amazônia e aos cultores da Ciência da Terra. Capa provisória. Em preparação.









AMAMOS LIVROS ACESSÍVEIS
A comunidade da Coleção Toby em orkut
Dê uma força para essa idéia.

19/11/2006

TETRA


Quando pergunto às crianças qual seria o time do Toby, elas respondem ao mesmo tempo: "São Paulo, Santos, Corinthians!"
Considerando a cor da pelagem e não esquecendo o detalhe da língua, poderia tratar-se de um sãopaulino.
O Toby também é tetra?
Prometo que tirarei essa dúvida na quarta, dia 22, quando realizarei uma palestra lá em Peruíbe. Será a primeira apresentação pública do projeto Coleção Toby - Livros Acessíveis aos professores da rede municipal da cidade do Toby.
Darei um jeito de tirar a dúvida com o próprio Toby.
Boa semana para todas as torcidas.
Parabéns aos amigos tetracampeões.

15/11/2006

Entrevista [Caminhos Alternativos]

Caminhos Alternativos
Dia: 18/11/06 (sáb.)
Hora: 15h
Local: Rádio Trianon AM 740 (SP)
Universal AM 810 (Baixada Santista)


Neste sábado, às 15h, entrevista com a Gisele Pecchio, da Coleção Toby, no programa Caminhos Alternativos (Rádio Trianon AM 740). Ela é autora de coleção pioneira de livros para crianças em formato acessível (tinta, braile, Mp3 e na web-Rede Saci). Os dois primeiros livros da coleção fazem parte do acervo da Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo [Um par de asas para Toby e Toby e os Mistérios da Floresta]. Raycha - uma aventura na Amazônia está em preparação para lançamento paralelo com exposição de pintura com paisagens amazônicas que ilustram a obra. Gisele deseja que a mostra seja aberta para receber trabalhos em desenho e pintura sobre o tema, feito por alunos videntes e não videntes do ensino fundamental.
Caminhos Alternativos é um programa de entrevistas do radialista e professor de jornalismo Luiz Deganello, doutorado pela ECA/USP, membro da Fundação Padre Anchieta, ex-diretor da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (Fito).
Na entrevista, ao vivo, Gisele falará sobre os caminhos percorridos por ela, com a Coleção Toby, e sobre as surpresas e revelações ao longo dessa jornada, iniciada em 2003.
Também explicará como a literatura e a pintura se encontraram em 2006 e que inspirações e influências exerceram no trabalho que apresentará ao público, em 2007.
Mario Luiz Brancia, ex-aluno do IPC, funcionário da Prefeitura de São Paulo, participa no estúdio, como convidado do programa. Ele acompanha a trajetória da autora, desde o primeiro lançamento em braile.
A fisioterapeuta Beatriz Goldman, mestre em fisioterapia, bailarina e coreógrafa também será entrevistada por Luiz Deganello, neste sábado. Falará sobre ervas que fazem bem à saúde das pessoas. O programa fará uma interligação entre o trabalho autoral da Gisele, inspirado em elementos da natureza e os benefícios que a mesma nos traz.
Haverá sorteio de livro da Coleção Toby em tinta, braile e CD, durante o programa.

Caminhos Alternativos
Direção e Apresentação de Luiz Deganello.
Sábado, 18/11, às 15 horas
Rádio Trianon AM 740 (Capital)
Universal AM 810 (Baixada Santista)


COLEÇÃO TOBY












Para ler e ouvir

Sem saber que estava dando passo pioneiro na acessibilidade ao livro, em 2003 lancei Um par de asas para Toby em tinta, braile, áudio (MP3) e na web, pela Rede Saci-USP.
O projeto independente se transformou na Coleção Toby, livros paradidáticos, que já está no vol.III.
Quem é Toby?
É um cão amigo dos pássaros da esquadrilha da fumaça que habitam as matas da Serra dos Itatins, Juréia. Ele inspirou a primeira coleção de livros para crianças, em formato acessível. Leia mais em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3989294
Na ilustração, de MECCHI, o protagonista da Coleção e um dos amigos voadores.
Se já leu ou ouviu algum dos meus livros ou conhece a minha missão, comente aqui.
A palavra do leitor é o crédito do autor, especialmente do autor cujos livros não estão nas livrarias, nem nos programas de incentivo do Estado.
Para pedir livros, palestras, visitas ou falar comigo: gisele.jorn@uol.com.br

14/11/2006

Palestra [Peruíbe]

Literatura para Crianças e Inclusão é o tema da palestra da jornalista Gisele Pecchio Dias, autora da Coleção Toby, pioneira no formato acessível (tinta, braile, MP3 e web), quarta, 22, às 19 horas, no Centro Cultural de Peruíbe (SP).
Essa é a primeira apresentação do projeto literário pioneiro em acessibilidade à leitura aos professores da rede municipal e técnicos do Departamento de Educação de Peruíbe.
A palestra integra a programação de encerramento das atividades do Departamento de Educação para o ano de 2006.
Quem é Toby?
Toby é um cão amigo dos pássaros da esquadrilha da fumaça que habitam as matas da Serra dos Itatins. O protagonista das histórias da coleção é inspirado no cão Tobby, que mora no balneário de Peruíbe.

Palestra: Literatura para Crianças e Inclusão
Local: Centro de Convenções de Peruíbe
Data: 22/11
Horário: 19 horas

10/11/2006

ENSAIO


Descanso do super-herói
Após sessão de fotos para o jornal O Mirante

Sempre alerta
Toby em seu mirante favorito: o muro


Errei o foco
Toby e Skip não erram a pose.

Especial para o Blog da Gisele, 7/11/06, casa da Cibele e Orlando

09/11/2006

Amigos para sempre

Leia as últimas postagens
e depois veja se advinha
quem são os novos amigos
da Gisele Pecchio,
retratados na foto.

Peruíbe [parte I]

Bento, José (papai), José Lourenço (irmão) e eu, da esquerda à direita.

Acabo de chegar de Peruíbe,
para onde sempre volto

Tem sido assim desde os meus 6 anos de idade, quando vi o mar pela primeira vez na cidade cujo padroeiro aniversaria comigo, no Dia de São João.
Aos pés da escultura do santo padroeiro fiz a minha primeira pose para foto. Chorando, com medo de cair lá do alto.
Minha família ficava hospedada no lar de Cândida e Bento.
O casal anfitrião morava perto da estação ferroviária, numa casa de madeira muito limpa, rodeada de flores.
Éramos recebidos com simplicidade e bondade e nem parentes éramos do ferroviário Bento e da benzedeira Cândida.
Eu e meu irmão dormíamos à luz de vela e tomávamos banho de canequinha porque na casa não havia água encanada, nem luz elétrica e muito menos chuveiro.
Mas no lar de Cândida e Bento havia comida cheirosa, roupa limpinha e acolhimento.
Dormíamos sonhando com castelos de areia enfeitados que o mar encomendaria para uma onda vir buscar.
E nossas mãozinhas empreendedoras entregavam às ondas do mar quantos castelos fossem encomendados por ele.
Cinco, seis, oito por dia.
O dono-mar adorava encomendar os castelos que fazíamos cada vez mais altos e enfeitados. Hoje, a casa de Cândida e Bento não existe mais.
Eles também não estão mais entre nós. Nem papai.
Mas o mar, as praias e as conchinhas continuam lá.
E não faltam crianças empreendedoras erguendo todos os dias paredes de castelos que uma onda mansa e branca transformará em lembrança o que já foi real.

Peruíbe [parte II]

Pose do corredor Toby para o álbum da Cibele Paoliello.


Sabe quem eu vi por lá?

O Toby verdadeiro.
Quase seis anos depois de eu tê-lo visto pela primeira vez na praia, brincando de correr atrás dos amigos pássaros da esquadrilha da fumaça.
Conheci os verdadeiros donos do Tobinho [como carinhosamente as crianças chamam o protagonista das minhas histórias].
Cibele e Orlando são os donos do Toby verdadeiro.
Verdadeiro?
Sim. Toby existe.
É um genuíno cão caiçara.
Como todo bom anfitrião, foi a primeira figurinha avistada por mim quando cheguei na praia do Arpoador.
Ele estava na calçada, em posição de alerta, com os olhos na direção da linha do horizonte que divide o azul do céu, do azul do mar.
Cibele e Orlando nem sabiam que o seu cão não só me inspirou a escrever histórias para crianças mas inspirou projeto pioneiro em acessibilidade à leitura.
A Coleção Toby é a primeira transcrita e impressa em braile. É a primeira a ser baixada na web, para leitura livre, por meio do site Rede Saci-USP. Também é a primeira coleção alternativa de livros gravada em MP3 para ser ouvida em CD.
Os donos do Toby ficaram emocionados com a notícia.
Sempre souberam que o seu filho tem muito valor.
Toby fora adotado por eles na mesma época em que eu o conheci na praia.
Cibele e Orlando são muito diferentes dos donos do Toby na ficção.
Ao contrário de Constança e Lalo, cuidam dos seus cães com muita dedicação.
Cães?
Pois é...
Agora Toby divide o amor dos donos com um jovem cão de nome Skip.
Quem é Skip?
É o filho do Toby. Um corredor, como o pai.
Entre os segredinhos do Toby contados pela Cibele está esse filho que mal sabia andar quando pequenino apareceu com o pai para uma visitinha surpresa ao vovô e à vovó.
Também fiquei sabendo que Toby aniversaria no Dia das Crianças.
Foi quando Cibele resgatou Toby das ruas e o adotou.
A edição de 12/11/06 do jornal O Mirante (circula em Peruíbe e na Baixada Santista) publica matéria sobre o meu encontro com Toby e seus donos, seis anos depois de eu tê-lo visto na praia, pela primeira vez.
O jornalista e escritor Marco Asa registrou esse encontro na aconchegante e bonita casa onde Toby vive com o filho e os donos. Muito diferente da casinha simples onde vive o Toby da ficção.

.*.AMAMOS LIVROS ACESSÍVEIS.*. é a comunidade do Toby em orkut.

02/11/2006

Escola

Professora adota livro
nas aulas do reforço

No segundo semestre do ano letivo de 2003, a professora Magali Piazza Giaquinto obteve êxito na evolução dos alunos, nas aulas de Português do reforço escolar. Eram alunos de 9 a 11 anos que tinham importante dificuldade para formular frases empregando corretamente o vocabulário, o sujeito e o verbo.

O êxito da professora ela atribui em parte ao interesse que a história de Um par de asas para Toby despertou nos alunos. O protagonista é um cão verdadeiro, amigo dos pássaros que habitam a Serra dos Itatins, na região do balneário de Peruíbe, litoral sul de São Paulo.

"As crianças gostam de cachorros e aventuras, por isso a trama fez sucesso entre os meus alunos", disse Magali que teve autorização da autora para utilizar o texto e as imagens da primeira história da Coleção Toby, antes mesmo de ter sido lançado o livro.

Em 11/10/2003, véspera do Dia da Criança, Gisele Pecchio lançou Um par de asas para Toby na Praça de Eventos do Osasco Plaza Shopping.

A recusa de livrarias pela comercialização do livro, uma produção independente pioneira no formato acessível para crianças (tinta, braile e MP3), tem prejudicado as vendas mas não imobilizou a autora, que é jornalista e tem recebido muito apoio da imprensa na divulgação da sua missão.

Na véspera do lançamento do livro, o âncora da Rádio CBN, jornalista Adalberto Piotto, entrevistou Gisele durante mais de quinze minutos [o resumo da entrevista está no blog]. Isso atraiu grande número de ouvintes da CBN para a fila de autógrafos.

As livrarias que se recusaram a comercializar o livro não venderiam a mesma quantidade autografada por Gisele, em poucas horas, nem em uma semana de trabalho.

Professora faz a diferença na valorização do aluno, da autora e do livro

Na fila do autógrafo, diante da autora, estava a sorridente e abnegada professora Magali Piazza Giaquinto. Foi comprar vários exemplares do livro para a biblioteca da escola onde trabalha [Emef. Prof. João Larizzatti]. Também foi convidar a autora para uma palestra, que ocorreu no mês seguinte ao do lançamento do livro.

Em 10 de novembro estava lá na escola a autora de Um par de asas para Toby. Antes de falar para mais de 200 alunos, de algumas séries do ensino fundamental, Gisele se emocionou ao deparar com um grande mural, na parede do corredor central. Nele, estavam contidas redações, frases, desenhos e mensagens carinhosas dos alunos referentes ao livro, ao protagonista Toby e a ela própria, a autora. Havia desenhos do Toby pintados a mão e também no computador.

A professora Magali trabalhou os temas tranversais propostos pela autora, no livro, de forma multidisciplinar. Entre os temas, a liberdade com respeito às regras, a importância da amizade e da cooperação na superação de problemas.

Até nas aulas de educação física o professor motivou os alunos para a importância da atividade física graças ao fato de o cão Toby gostar de correr na praia, apostando corrida com os amigos pássaros da esquadrilha da fumaça. Na abordagem sobre o meio ambiente e a cidadania, os temas escolhidos foram a posse responsável dos animais de estimação e a utilização racional dos recursos da natureza.

Gisele Pecchio considera que não poderia ter havido estréia mais marcante para ela, na literatura, do que aquela proporcionada pela professora Magali Piazza Gianquinto. "Não somente pelo respeito e valorização dados pela educadora ao trabalho da autora, mas pelo respeito e valorização dedicados pela educadora aos seus alunos".

Esse respeito e valorização Gisele sentiu novamente, meses depois, em março de 2004, quando se apresentou em palestra no Instituto de Cegos Padre Chico, para alunos do ensino fundamental, durante o lançamento da primeria edição em braile do livro Um par de asas para Toby, transcrito e impresso no IPC. Tempos depois, a autora também autorizou a transcrição e impressão do livro em braile ao Instituto São Rafael, de Belo Horizonte, e à Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo.


Alunos da professora Magali Giaquinto, da Emef Prof. João Larizzatti, em Osasco.




01/11/2006

Profa.Magali Giaquinto

Opinião

"A forma como você se coloca é inteligente e criativa. Gostei da ficha de leitura que acompanha o livro, apropriado para a criança da 4ª série. Como professora, sempre gostei de incutir na criança o processo da leitura, por meio de perguntas sobre quem são as personagens, do que se trata o livro, etc. Seu livro é bem pormenorizado, auxiliando-nos no ensino do processo da leitura para um bom aproveitamento da obra". Magali Piazza Giaquinto - Emef Prof. João Larizzatti (Osasco-SP), professora e pedagoga.

26/10/2006

AMAZÔNIA

Você sabia...?

Na terça, 24/10, o Jornal da Globo noticiou em manchete que o curso do rio Amazonas era voltado ao Oceano Pacífico. Em teaser, antes do jornal, William Waack perguntava ao telespectador: "Você sabia que no passado o rio Amazonas corria ao contrário, em direção ao Oceano Pacífico?"

A matéria apresentava a pesquisa feita por dois cientistas estrangeiros cujo resultado fora apresentado como algo "surpreendente" e "revelador".
Resolvi postar esse assunto no blog porque o pesquisei em publicações do IEA-USP para escrever Raycha - uma aventura na Amazônia, o terceiro volume da Coleção Toby, com transcrição em braile, pelo Instituto de Cegos Padre Chico. O livro está em preparação.
Na época, agosto de 2005, recebi orientações do geógrafo Aziz Ab'Sáber para escrever sobre o assunto de forma correta. Tive o cuidado de procurar o professor lá na USP, para evitar erros. Ele é o mais famoso geógrafo brasileiro e fez 82 anos de idade no dia 24/10, quando a Globo veiculou a matéria sobre o curso do rio Amazonas.
Segundo me orientou o geógrafo Aziz Ab'Sáber, que poderia ter sido ouvido pela TV Globo, não é correto atribuir o nome rio Amazonas ao tipo de drenagem que havia no espaço correspondente a atual bacia amazônica.
Em Raycha, a informação sobre a drenagem que havia na região da bacia amazônica ficou assim:

"...Há milhões de anos, numa era geológica em que Brasil e África eram um só continente e os rios que hoje banham o nosso território nem haviam se formado como tal, as águas tinham drenagem oposta, corriam para o Oceano Pacífico. Em milhões de anos o planeta passara por intensas mudanças. Com o levantamento da região da Cordilheira dos Andes, o caminho das águas se invertera para o Oceano Atlântico, a leste..."

Raycha é uma homenagem aos povos da Amazônia e aos cultores da Ciência da Terra na pessoa do mais famoso geógrafo brasileiro, apresentado às crianças como a personagem Xeique, na aventura do Toby e seus amigos pela Amazônia, a partir do Círio de Nazaré, em Belém (PA).

24/10/2006

Dia do Livro

Ser livre é...

Além do segundo turno das eleições para definir governadores e o presidente da República, neste 29 de outubro se comemora o Dia Nacional do Livro.
Um domingo para ler e refletir sobre a importância de fazer escolhas, após pensar sobre as propostas dos candidatos e observar a maneira como eles agem.
É muito importante saber se os atos confirmam as palavras do candidato.
Muitas vezes somos induzidos a crer nas palavras que não se confirmam nos atos. Daí vem o sentimento de ter sido traído, enganado.
Há quem se retraia após uma escolha mal sucedida. Resolve ficar neutro, sem tomar posição alguma.
E ainda encontra argumentos para não decidir por fulano ou beltrano.
"Não tomo partido porque quero ser livre para fazer críticas depois, quando os atos passarem a não confirmar as palavras", diz o argumento de quem resolve não votar ou anular o voto.
Será que não votar ou anular o voto liberta alguém?
Penso que não.
Ser livre é fazer escolhas.
Ser livre é tomar posição.
Se mais tarde a escolha não se revelar tão boa, a democracia permitirá fazer nova escolha. Até acertarmos o passo.
E você, o que pensa sobre ser livre?
Pense a respeito e deixe a sua opinião no blog.

4Enquanto você pensa para escrever, publico aqui trecho que trata de liberdade, em Um par de asas para Toby, que a menina Pamy (foto) está lendo:

"...Lalo, marido de Constança, já havia recebido proposta em dinheiro para anúncios, publicidade e promessas de carreira no cinema e na televisão para o cãozinho. Aos interessados, ia logo dizendo:
_ Toby é livre, ninguém faz a cabeça dele. Sua vida é correr na areia dessas praias de Peruíbe, fazendo aventuras com os amigos da esquadrilha da fumaça.

Amigos e Aventuras

Esquadrilha da fumaça?
Cruz credo, um cachorro aviador?
Nada disso, bem que Toby adoraria.
Na verdade, sonhava com um par de asas que lhe possibilitasse voar.
Mas ele se conformava em correr atrás da própria sombra, quilômetros e mais quilômetros de praia, derrubando guarda-sol, cadeira, caixa de isopor e tudo o mais que encontrasse pela frente.
Toby tinha a esquisita mania de correr atrás da sombra projetada pelo sol. Sentia imensa frustração por não poder voar. E os passarinhos pareciam desafiá-lo. Em bandos de quatro, às vezes oito, faziam manobras complicadas, bem rentes à água do mar. Alçavam vôo reto, para cima, e depois desciam sincronizados, juntinhos, desenhando formas geométricas, parecidas com as da esquadrilha da fumaça..."

4Coleção Toby - Livros Inclusivos, pioneira em tinta, braile, MP3 e na web (Rede Saci). À venda na Livraria Cultura.
. Um par de asas para Toby (2003)
. Toby e os mistérios da Floresta (2004)
. RaYcha, uma aventura na Amazônia (em preparação)

17/10/2006

Crer&Ver

Lá de Marte, o cão Toby nos convida a ...

Pensar Positivo

Fala-se de um disparo cósmico que deverá cruzar a rota da Terra na forma de um raio de luz ultravioleta por volta das 17 horas deste 17/10.
Se a manifestação da matéria é causada pelo pensamento, não custa aproveitar esse horário ou algum outro momento, esta noite, para meditarmos sobre nós mesmos a partir da visualização interna deste raio luminoso, como se ele estivesse envolvendo o nosso próprio corpo e dando-nos a proteção capaz de nos fazer realizar os justos pedidos e anseios em nossa vida material e espiritual. Da mesma forma, não custa vibrar por todos os povos da Terra, para que numa só corrente possamos alcançar a paz, a cura, a libertação, o progresso espiritual e material da humanidade. Soyuz! Ilustração do Toby: José Carlos Mecchi

Quem é Toby?

É amigo da esquadrilha da fumaça

"...Da janela da casa, Toby apreciava o azul do céu e o vai-e-vem das ondas do mar. Era da janela que ele saltava, bem cedinho, e ia correr na praia, espalhando areia para todos os lados.
Corria veloz, uns seis quilômetros, ida e volta, todas as manhãs.
O exercício se repetia à tardinha, antes do pôr-do-sol.
Por isso, Toby tinha o corpo bem definido e musculoso fazendo inveja para o amigo Bolão. Sem contar os suspiros que arrancava da Cleo e os ciúmes que despertava na Veruska.
Toby não era o tipo metido, ao contrário de outros personagens. E bem que podia. Por onde passava, sempre lépido e altivo, ia ouvindo as pessoas o chamarem pelo nome.
— Tobyiii, Tobyiii! — gritava Aninha, da janela do apartamento.
Ele dava uma olhadinha para o lado da menina, fazia um gracejo e seguia em frente, sempre correndo.
Nunca vi Toby caminhar no calçadão da praia, como seus amigos. Ele sempre corria na areia. Ia para a calçada somente na hora de voltar para casa.
Quando avistava o muro branco, que cercava o quintal da casa onde morava, dava um impulso e saltava para dentro.
Mal pisava na grama verdinha do jardim escondido atrás do muro, uma pétala se desprendia da corola da rosa preferida.
Nesse instante, ouvia o chamado:
— Toby, Toby! - era dona Constança.
Ao ouvir seu nome, elevava o pescoço, mantinha postura ereta e pousava os olhos na direção da voz, que vinha da porta da cozinha.
— Venha comer, está na hora!
Indeciso entre olhar para a porta da cozinha e para a queda da pétala da rosa preferida, que arrancou quando saltou o muro do quintal, ele escolheu deitar na grama e murmurar, baixinho.
Leve e desfalecida, a pétala da rosa pousou sobre o seu focinho gelado, entre um par de olhos desapontados... (trecho do livro Um par de asas para Toby, pág. 5)

Quem é a esquadrilha da fumaça?

São os pássaros que habitam as matas da Serra dos Itatins (Juréia). Por voarem sempre em bandos e fazerem bonitas acrobacias aéreas sobre a cabeça do Toby são chamados assim pela autora.

Para ouvir trecho do CD em MP3 [edição do radialista João Pedro Montezuma] basta enviar endereço do e-mail para a postagem do arquivo de voz para gisele.jorn@uol.com.br
O CD poderá ser copiado para distribuição livre, sem fins comerciais, bastando solicitar por escrito à autora.




12/10/2006

Uniban



Café Filosófico na Pedagogia

Nesta terça, 17, das 19h30 às 21 horas, haverá Café Filosófico sobre Literatura para Crianças e Inclusão pelo Sistema Braille durante a Semana da Pedagogia da Universidade Bandeirantes (UNIBAN), de Osasco-SP. O tema será apresentado pela jornalista e escritora Gisele Pecchio, autora da Coleção Toby - Livros Inclusivos, pioneira no formato acessível (tinta, braile, MP3 e web) e pelo matemático e professor Eduardo Vedolin, autor do projeto Para ler e ver com os dedos.

Um par



...de asas para Toby

É o primeiro volume da coleção de livros para crianças editados por mim em tinta, braile, CD (MP3) e na web, pela Rede Saci-USP.
O trabalho é pioneiro no gênero e tem sido reconhecido por crianças brasileiras de todas as idades. Toby também já deu asas à imaginação de brasileiros residentes no Japão, Alemanha e França.
A edição em braile é transcrita e impressa no Instituto de Cegos Padre Chico (São Paulo-SP), cujos alunos foram os primeiros a ler, em braile, as aventuras do cão Toby e seus amigos pássaros da esquadrilha da fumaça.
A professora Magali Piazza Giaquinto, da Emef Prof. João Larizzatti (Osasco-SP) realizou bem sucedido projeto pedagógico com o texto da autora nas aulas do reforço escolar do ano de 2003, antes da história ser publicada em livro.

Leia trecho da pág.13 de Um par de asas para Toby

O cãozinho corria, corria, sem jamais alcançar os pássaros.
Quanto mais ele corria, mais a esquadrilha da fumaça o desafiava, voando baixo, em vôos rasantes.
As asas dos pássaros, ora quase tocavam a cabeça do Toby, ora quase tocavam a água do mar.
E Toby investia para cima deles latindo, latindo e, às vezes, engolindo e vomitando água salgada.
Tadinho do Toby...
Esforço inútil.Voltava para casa molhado, cansado e babando de inveja dos amiguinhos voadores.
Satisfeitos com a aventura, e vendo Toby se distanciar da praia, os pássaros também iam embora. A missão estava cumprida, já podiam relaxar, até outro ataque amistoso e brincalhão. Muito diferente do que seria um ataque aéreo provocado pelo homem.
E dava para ver os pássaros se distanciando, sumindo como pontinhos pretos no céu, mergulhando no verde escuro das encostas da Serra dos Itatins, na Mata Atlântica, um berçário de lindas espécies de plantas, aves e outros animais. Alguns deles nem podem ser vistos com tanta facilidade. O desmatamento e a ocupação do seu ambiente natural prejudicaram a reprodução e os afugentaram...

Mais informações sobre autora e obra: www.quata.com.br/gisele.htm

Toby

...e os Mistérios da Floresta


trecho da pág. 5

Subindo a Serra

Fontes de água limpa e fresca brotam dos costões rochosos esculpidos entre o oceano e o continente. Uma mata verde-oliva encobre a cadeia de montanhas. Diz a lenda que ela abriga seres etéreos e misteriosos, capazes de fazer desaparecer quem ousa desvendar os seus segredos. No passado, a mata era habitada por índios Tupiniquins e foi palco da história de amor entre o cacique Peroibe e a índia Juréia.
Nascido e criado nos contrafortes da montanha, o cão Toby sonhava com a possibilidade de voar para ver do alto como é bonita e imensa a floresta.
Certo dia, depois de correr na praia com os amigos pássaros, da esquadrilha da fumaça, Toby se rendeu ao cansaço e adormeceu ali mesmo, na areia da praia, ao lado da imponente e misteriosa montanha.
O sol desaparecia no horizonte tingindo de vermelho-ouro a água do mar.
A floresta também adormecia, em meio aos ruídos dos pássaros que voltavam para a copa das árvores, na montanha.
Enfeitadas com tapetes verde-musgo, repletos de flores de todos os tipos, tamanhos e cores, as árvores da Mata Atlântica são majestosos condomínios onde habitam centenas de espécies de aves e outros animais.
A Baitaca discutia com o vizinho Tucano porque ele havia metido o bico na sua conversa com a mulher do Tatu, que mora no térreo.
— Essas duas ficam matraqueando na frente da minha porta, invés de fazer o jantar, e depois não querem que eu meta o bico na conversa — queixou-se o Tucano à dona Jararaca.

trecho da pág.6

— Psiuuu! — Em conversa de mulher, homem não mete a colher nem o bico, muito menos um bicão igual ao seu — disse a cobra.
Cansado de pular de galho em galho, o Macaco-prego parou para bebericar numa queda d’ água, antes de ir para casa dormir.
Enquanto isso, alguém desligou a luz. O clarão vermelho se apagou e um manto preto-estrelado brilhou no horizonte.
O menino índio deixou a canoa na margem do rio Preto e começou a abrir uma trilha na areia, ao lado do Toby, que dormia.
Ao ouvir o assovio misterioso do índio, milhares de vaga-lumes desceram a montanha para iluminar a trilha, formando cordões de pisca-piscas dos dois lados.
Sonolento, Toby se levantou e caminhou em direção ao final da trilha, que acabava no pé da montanha.
Para chegar lá, o cão teve que atravessar as águas do rio, que corria para o mar. A água doce e morna o despertou na frente de um lindo portal esculpido na rocha, iluminado pelo clarão da lua.
— Não fique aí parado, entre! —, exclamou o menino.
Surpreso, Toby entrou e acompanhou o índio, que corria montanha acima, seguido pelos vaga-lumes...

Reservas de palestras, livros em tinta, braile e MP3: gisele.jorn@uol.com.br

11/10/2006

TRÊS ANOS




Prof. Eduardo Vedolin (matemática e braile) e as alunas Pamela e Larissa com Gisele, durante palestra da autora na Biblioteca Braille do Centro Cultural São Paulo.

PALESTRA SOBRE LITERATURA E BRAILE - Eduardo e Gisele estão à disposição para palestras sobre a sensibilização para o sistema braile como estímulo ao desempenho escolar dos educandos e às práticas inclusivas. Informações: gisele.jorn@uol.com.br


Três anos de aprendizado são comemorados hoje

Estou feliz com os avanços que tenho observado no entendimento dos alunos e professores sobre a importância do livro acessível.
Mais feliz ainda por confirmar na prática o que sempre defendi e acreditei: as crianças gostam de ler e precisam apenas de um empurrãozinho para aprender.
Hoje trabalhei com um grupo de 20 crianças videntes, de 6 a 10 anos, do Centro Educacional Desafio, em Osasco (SP).
No final da jornada, convidei-as para ler um trecho de um dos meus livros. Jaqueline, 7, e Victor, 6 anos, se apresentaram voluntariamente à frente da classe e leram um parágrafo inteiro de Toby e os Mistérios da Floresta, sem ensaio e sem jamais terem tido contato com os meus livros antes.
Também hoje, 10/10, recebi e-mail do padrinho de um leitor dos meus livros em braile. O leitor é o menino Thiago, 10 anos, morador de Limeira (SP). Ele já leu trecho do terceiro livro [Raycha] em braile e está entretido agora com a transcrição do mesmo no computador que ganhou do padrinho. [Eli, um senhor benemérito que tem sido o anjo da guarda do menino].
Thiaguinho deseja que o padrinho tenha acesso ao conteúdo do livro. Assim, ele também ajuda essa autora a tornar a obra acessível aos videntes, enquanto eu trabalho para conseguir finalizar e lançar Raycha.
Na semana do Dia da Criança e do Professor esta é uma bonita prova de que temos motivos para comemorar e ser otimistas.
Também estou comemorando três anos de aprendizado neste campo novo e fértil onde jamais pensei estar antes de oferecer um par de asas para Toby voar.
Tudo o que precisamos é apenas uns dos outros.
Saudações a todas as crianças, de todas as idades, e aos seus professores.
Um beijo especial à Jaqueline, ao Victor e ao Thiago por terem me feito tão feliz no dia de hoje.
Gisele Pecchio, autora da Coleção Toby - Livros Acessíveis

02/10/2006

CRIANÇA [Desafio]


Sala de aula do IPC (São Paulo-SP),
durante palestra com Gisele Pecchio, autora da Coleção Toby.


Desafio recebe autora

Na Semana da Criança, o Centro Educacional Desafio promove palestra sobre literatura para crianças e inclusão social a ser realizada por mim, sob a coordenação da psicóloga Belanisa Mello, coordenadora de orientação educacional da escola. A palestra é ilustrada por DVD contendo informações sobre a minha missão e sobre o projeto braile, iniciado com pioneirismo, em 2003.

Os livros da Coleção Toby têm transcrição em braile, pelo Instituto de Cegos Padre Chico, e edição também em MP3, tinta e na web, pela Rede Saci, da USP. Podem ser adquiridos comigo, com envio pelos Correios para qualquer parte do Brasil. Mais informações sobre livros e palestras: gisele.jorn@uol.com.br

Um par de asas para Toby (2003) e Toby e os Mistérios da Floresta (2004) custam R$10,00 incluindo a postagem. RaYcha-uma aventura na Amazônia já saiu em braile e está sendo preparado para lançamento em 2007. A autora busca o apoio cultural de patrocinador para lançar o livro paralelo com exposição de pintura a óleo com as telas que ilustram o livro, uma homenagem aos povos da Amazônia e aos cultores da Ciência da Terra.

01/10/2006

Entrevista com Gisele, da Coleção Toby

Caminhos Alternativos
Dia: 18/11/06 (sáb.)
Hora: 15h
Local: Rádio Trianon AM 740 (SP)

Baixada Santista: Universal AM 810 (SP)

Neste sábado, às 15h., entrevista com a Gisele, da Coleção Toby, no programa Caminhos Alternativos (Rádio Trianon AM 740). É um programa de entrevistas do radialista e professor de jornalismo Luiz Deganello, doutorado pela ECA/USP, membro da Fundação Padre Anchieta, ex-diretor da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (Fito) onde atuou mais de 30 anos e foi um dos fundadores, tendo sido um dos idealizadores do curso de Jornalismo.
Na entrevista, ao vivo, Gisele falará sobre os caminhos percorridos por ela, com a Coleção Toby, e sobre as surpresas e revelações ao longo dessa jornada, iniciada em 2003 com Um par de asas para Toby.
Como a literatura e a pintura se encontraram em 2006 e que inspirações e influências exerceram no trabalho que apresentará ao público, em 2007.
Mario Luiz Brancia, ex-aluno do IPC, funcionário da Prefeitura de São Paulo, participa no estúdio, como convidado do programa. Ele acompanha a trajetória da autora, desde o primeiro lançamento em braile, da Coleção Toby.
Haverá sorteio de livro da Coleção Toby em tinta, braile e CD, durante o programa.

Caminhos Alternativos
Direção e Apresentação de Luiz Deganello.
Sábado, 18/11, às 15 horas
Rádio Trianon AM 740 (Capital)
Universal AM 810 (Baixada Santista)

LIVRO ACESSÍVEL (O Chefe)



Observatório da Imprensa
Entrevista Ivo Patarra, autor de O CHEFE

Lançado em 7 de setembro de 2006, o livro-blog O CHEFE, do jornalista e escritor Ivo Patarra, tem recebido a média diária de 6.500 visitas. A cada 12 ou 13 segundos uma pessoa tem feito o download da obra ou lido sobre o escândalo do mensalão, no próprio e-livro. O autor já possui leitores em 54 países, incluindo o Brasil.

Na edição de 19/9/06, do site Observatório da Imprensa, há uma entrevista feita por mim com o autor do livro O CHEFE, lançado na Internet em copyleft e formato acessível.
Convido você para ler, comentar e, se quiser, indicar essa sugestão de leitura.

O link para ler o livro é:
http://www.escandalodomensalao.com.br

O link da entrevista é:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=399AZL003

O link para AMAMOS LIVROS INCLUSIVOS é:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3989294

30/08/2006

FEIRA [Ribeirão Preto]

Ribeirão Preto, 2004

CULTURA É ACOLHER BEM

Felizes os autores que escrevem para crianças.
Tê-las por perto é sentir a presença de Deus.
Senti a presença dele neste 19 de junho, na cidade de Ribeirão Preto, onde participei de um solitário Salão de Autógrafos numa feira do livro. Seus organizadores esqueceram o principal: saber receber é uma questão cultural e qualquer dona-de-casa mediana sabe valorizar esse quesito.

Colocar vasinho de flor na mesa e no buraco vazio reservado na estante para os livros dos autores que não vieram foi fácil. Difícil mesmo foi fazer o essencial: receber bem e com reciprocidade a única escritora presente na sessão de autógrafos, onde tantos outros confirmaram presença e se ausentaram.

Teria me sentido bem recebida e acolhida se um único exemplar do meu livro tivesse sido comprado para o acervo de livros infantis de uma única biblioteca da cidade, que se orgulha de possuir dezenas delas e repudia quando comparada com a norte-americana Califórnia.

Qualquer administrador mediano sabe valorizar o fundamento reciprocidade muito bem. Até porque, quando a cidade recebe mal os seus visitantes perde divisas. Até a água que bebi foi paga por mim. Talvez se eu bebesse uísque e me apresentasse ao público com a mesma roupa que durmo o papo seria outro. Conheço pessoas que dão palestras nesses trajes com todas as despesas pagas, até a água que o passarinho não bebe.

Viajei 330 quilômetros, com despesas pagas por mim, para participar de uma sessão de autógrafos para a qual confirmei presença, num evento que se pretende cultural, bancado por um monte de patrocinadores. Amanheci na rodoviária para ser pontual e não atrasar a programação ou prejudicar o horário reservado para outros autores. Levo a sério o meu trabalho e penso que do lado de lá o trabalho também é levado a sério.

Além do livro Um par de asas para Toby, que seria autografado, levei na bagagem exemplares do livro transcrito em braile para doação. Não apareceu pessoa alguma ligada à Educação ou à Cultura da cidade de Ribeirão Preto para conhecer-me e receber de mim um livro autografado. Sequer conheci os escritores da cidade e suas obras. E gostaria de tê-los conhecido, em especial os independentes, como eu.

Já passei por esse constrangimento outras vezes. Mas Deus sempre envia um anjo para me auxiliar nos momentos difíceis. Observei que em todos os lugares onde me apresento existe sempre uma criança que justifica a minha presença naquele lugar.

Em Ribeirão Preto apareceu o anjo Eduardo Gomes de Oliveira, de 9 anos, a única pessoa presente na Feira do Livro que entendeu a razão e o valor do meu esforço. Ele fez de tudo para que eu me sentisse recompensada e saísse de lá com uma boa imagem da cidade. Timidamente convidava as crianças para irem me conhecer.

Quando as crianças começaram a chegar para ouvir-me contar a historinha do cão Toby um barulho ensurdecedor tomou conta do lugar. Eram testes de som para um show que aconteceria no final da tarde, na frente do estande dos autógrafos.

O curto espaço de uma hora que me foi oferecido, naquela manhã, estava esgotado. Mal consegui falar com as crianças da cidade. Mas guardo delas a melhor lembrança. Crescerão vencedoras e ocuparão com dignidade as funções e os cargos públicos.

Quando esse dia chegar, estou certa que os escritores, os artistas e os cidadãos livres serão tratados com o mesmo respeito como fui tratada por elas, nos poucos minutos que nos foram concedidos ficar juntas.

Queridos alunos,

Eduardo Gomes de Oliveira,
William R. Rigoli,
Murilo Menezes Sant'Ana,
Ricardo V. P Pereira e
Guilherme C. N. Z. Ruiz:

Vocês são os responsáveis pelas boas recordações da minha primeira visita como escritora aí em Ribeirão Preto, no dia do aniversário da cidade e a cinco dias do meu aniversário.

Muito obrigada pelo interesse demonstrado pelo meu trabalho e pela visita feita para mim naquele solitário estande do Salão de Autógrafos. Infelizmente, o barulho alto proveniente dos testes de som não favoreceu a nossa conversa mas espero ter podido transmitir a vocês o essencial. Para mim, o essencial se resume na importância da amizade e na valorização do esforço pessoal para transpor as pedras do caminho.

Quero fazer um agradecimento especial ao Eduardo, uma criança com apenas 9 anos, a única pessoa da cidade que entendeu o valor do esforço feito por mim para estar presente neste dia 19 de junho, aí em Ribeirão Preto, distante 330 quilômetros da minha cidade. Crianças como você Eduardo, são anjos enviados por Deus para nos dar força e coragem nos momentos de desânimo.

Muito obrigada pelo carinho e pela atenção. Sei que você crescerá e vencerá e, quando adulto for, tratará os escritores e os artistas livres da mesma forma atenciosa e generosa como eu fui tratada por você Eduardo, e pelos seus amiguinhos.

Gostaria muito de ter autografado o meu livro para cada um de vocês. Mas ele precisa ser vendido. No entanto, o livro poderá ser lido na íntegra por vocês no site REDE SACI, que pertence à Universidade de São Paulo. Não será possível ver os desenhos feitos pelo Mecchi para ilustrar a história. Mesmo assim, espero que leiam e que depois escrevam sobre o que acharam desta primeira aventura da coleção.

Endereço de busca do Toby na Internet:
http://www.saci.org.br

15/08/2006

EVENTO

Palestra
Literatura Infantil e Inclusão: Quem é Toby?



Apresentação do projeto literário inclusivo Coleção Toby aos conselheiros municipais de educação de cinco cidades do estado de São Paulo, durante curso de formação coordenado pela Faculdade de Educação da USP.
Data/Horário: 18/8 às 11 h.
Local: EDA/FEUSP

30/07/2006

Faltam livros em braile no país


DEFICIENTES VISUAIS
Por: Gisele Pecchio Dias Fonte: Observatório da Imprensa 27/4/04

As edições de livros em braile no Brasil não são significativas. Os deficientes visuais não têm opções suficientes de autores e títulos e a solução para esse problema parece estar longe, pelo menos enquanto perdurar o desinteresse do mercado editorial.

O serviço de impressão em braile da Fundação Dorina Nowill para Cegos, o maior dos quatro fornecedores especializados nesse tipo de impressão no país – todos ligados a instituições sem fins lucrativos –, informa que imprime 9 milhões de páginas em braile por ano, entre livros, revistas, cardápios, letras de música e textos diversos. Se dividirmos essas páginas entre os cegos brasileiros, cada um ficará com apenas 0,15 página por dia.

As editoras comerciais poderiam investir nesse segmento mas não o fazem por medo de comprometer o seu lucro. Alegam que as máquinas para esse tipo de impressão são muito caras.
As escolas especializadas na educação de cegos, por sua vez, reclamam a falta de livros para atender a expressiva demanda. Os títulos infantis são raros e, até recentemente, antes da imposição da lei, as editoras se recusavam a ceder seus títulos à transcrição em braile às poucas escolas que se dedicam à educação de cegos no Brasil.

Pela primeira vez o Ministério da Educação autorizou a transcrição em braile de vários títulos, que já estão à disposição na rede de ensino público. Mesmo com esse importante investimento do governo federal, a demanda ainda não foi atendida plenamente. Visitando as bibliotecas públicas e as instituições que mantêm programas de assistência ao cego, constatei que faltam títulos, especialmente para o público infanto-juvenil. E é claro que isso prejudica o aprendizado das crianças. Além dos livros gravados em fita, elas precisam treinar a leitura, por meio do tato.

Nariz de palhaço

Ora, se há demanda reprimida o que está faltando mesmo é vontade, até nos autores que ostentam em suas biografias a vendagem de milhões de exemplares. Quantos desses já usaram o seu prestígio para influenciar a indústria do livro a olhar com mais atenção para os excluídos do sistema?

Será que tudo precisa girar em função do lucro? Não haverá espaço para ideais mais elevados nesse balcão de negócios em que se debruça a cultura nacional?

Monteiro Lobato dizia que "um país se faz com homens e livros". Podemos acrescentar que onde faltam homens com o voluntarismo e o espírito público do Lobato sobram oportunistas e mercadores, ávidos pelo lucro, inclusive no serviço público. Uma distorção de finalidade gravíssima e muito comum nos dias de hoje, onde se admite a cobrança de multa de 10% por atraso de um dia em impostos como o IPTU.

Na abertura da 18º Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o presidente Lula teve a coragem de interpretar o texto escrito para ele, por algum marqueteiro, comparando o hábito da leitura com a corrida na esteira. Só esqueceu de lembrar que os milhões de brasileiros que o elegeram, na esperança de serem finalmente incluídos no sistema, ficaram do lado de fora da Bienal. Não pela ausência de condicionamento à leitura, mas por falta de dinheiro, mesmo. E o que dizer aos escritores alternativos, que pagam as mesmas taxas pagas pelas editoras para registrarem as suas obras na Câmara Brasileira do Livro e, na hora da festa, ficam do lado de fora, com nariz de palhaço?

Os leitores de livros em braile e para visão subnormal (aqueles impressos com letras grandes) também ficaram sem opções nessa Bienal. Se não por ideais elevados, porque reconhecemos quais são os valores que movem essa engrenagem, que é a mesma desde os tempos do Lobato, que a entrada das editoras nesse segmento seja então por uma questão de mercado.

Mais e melhor

Está na hora de botar sebo nas canelas porque vem aí uma turminha de leitores para lá de especial, ávida por experimentar a leitura pelo toque dos dedos. São crianças, muitas delas com dificuldade de aprender em braile por falta de treino. Faltam livros transcritos em braile. Faltam desenhos com relevo e texturas nesses livros. Falta amor pelo semelhante. Falta coragem para desgrudar os cotovelos desse balcão de negócios e enxergar o lado de fora, aquele onde estão o contribuinte e o escritor com nariz de palhaço.

Para redigir esse artigo, pedi números sobre a deficiência visual no Brasil ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde trabalham brasileiros que fazem pesquisa e estatística, em vez de utilizar indicadores de organismos internacionais. É preciso parar de valorizar somente o que vem de fora e dar credibilidade aos brasileiros, para motivá-los a trabalhar ainda mais e melhor pelo desenvolvimento do país.

Em 169.799.170 pessoas pesquisadas na amostragem do IBGE para o censo de 2000, foram registrados 16.573.937 deficientes visuais – ou seja, 9,76% da população pesquisada. Destes, 159.823 são cegos (0,96%), 2.398.471 possuem dificuldade permanente de enxergar (14,47%) e 14.015.641 têm alguma dificuldade permanente de enxergar (84,56%).

Em relação à população brasileira pesquisada, são cegos 0,09% do total, 1,41% possui grande dificuldade permanente de enxergar e 8,25% têm alguma dificuldade permanente de enxergar.

Beleza eterna

Outro caso que ilustra a pouca valorização dada aos elementos que formam a cultura nacional é o desprezo dedicado às personalidades ilustres da nossa história. O ensino do braile foi introduzido no país por um brasileiro chamado José Álvares de Azevedo, que nasceu cego e estudou pelo método braile na França. O patrono da educação de cegos no Brasil deixou poemas e livros que eu jamais pude ler e apreciaria saber onde estão. Considerado o primeiro professor cego do país, Azevedo faleceu aos 20 anos de idade, no Rio de Janeiro, em março de 1854, seis meses antes da inauguração da primeira escola de cegos – fundada por ele e que jamais teve o seu nome. Ainda hoje esta escola é conhecida como Instituto Benjamin Constant.

Betinho, como era chamado o sociólogo Herbert de Souza, outro brasileiro notável, cujo nome precisamos lembrar sempre porque ele dedicou a sua vida à ação social e à inclusão, dizia que por meio da cultura, da emoção e da inventividade podemos fazer as idéias evoluírem.

Já que não posso finalizar esse artigo com um texto de José Álvares de Azevedo, porque jamais me foi dada a possibilidade de conhecer a obra deste brasileiro a quem devemos tanto, transcrevo abaixo um poema da estudante gaúcha Isaura Gisele, hoje com 11 anos:

"Com o teu sorriso, o teu amor, o teu abraço, a tua vida. Com o teu carinho e o teu jeito especial de ser, me iluminas com uma luz que nem a mais brilhante estrela possui, porque me mostras e me ensinas o ladobelo da vida. Não preciso ver-te, pois sinto a tua alma, capto coisas que não podem ser vistas, apenas sentidas.Não vejo a tua beleza exterior, que é efêmera, mas sinto a tua beleza interior, que é eterna ..."

Opinião do Leitor

Fonte: Observatório da Imprensa Tema: FALTAM LIVROS EM BRAILE abril/04

Uma de nossas misérias

O assunto acesso à leitura continua uma das misérias que assolam este imenso e não ainda tão grandioso país. Diz um aprendiz de Jorge Luis Borges (aliás, que adquiriu cegueira), um estudioso da leitura chamado Alberto Manguel, que "uma sociedade pode existir –existem muitas, de fato – sem escrever, mas nenhuma pode existir sem ler". Acrescentaria que é pela prática da leitura que se oportuniza ao homem a criação, a construção e a reconstrução do conhecimento chegando a sua aplicabilidade ao meio social que habita.

E o ser cego ou possuidor de visão subnormal não é ser mentalmente capaz que contribui para a sociedade? Aqui, sociedade brasileira? Por que tanta restrição? E a criança, um ser em formação, a ela está sendo negada a possibilidade de conhecer e ver o mundo pelo livro e pela leitura? Lembre que cego vê, e talvez veja e sinta melhor de que as pessoas "videntes".

Políticas públicas voltadas à educação, à leitura, à acessibiliade – sim, pasmem, conheço bibliotecas com acervos em braile que ficam no terceiro andar de um prédio que não possui elevador... – ainda derrapam na mão de gestores. Associadas à timidez de um povo que pouco exerce a cidadania, fazem com que um grupo de cidadãos permança no escuro. Aliás, é a restrição de leitura que causa cegueira no ser humano, independentemente de ser ter visão ou não!

Não diferentemente, as organizações privadas do mercado livreiro não efetivam a sua contribuição. Alguém está pedindo algo gratuitamente? Não! Estamos apontando que todos têm direito à informação, a fatia do mercado está para ser explorada. Paradoxalmente, nem por "dinheiro" se produzem livros em braile! Há tipos e tipos de cegueira!

Quem leu "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago? Parece que esta epidemia tratada pelo autor português assola o povo brasileiro, principalmente aqueles que estão posicionados para que haja "equidade para todos." Finalizando, são artigos aqui e acolá, como este de Gisele, que espero se tornem cupim, sim, aquele bichinho que muitos consideram insignificante e que, em grupo, derruba prédios!

Que sejamos cupins destruindo a inércia que ainda impede um cego, um ser humano de ler e crescer! Parabéns à Gisele.

Salete Cecilia de Souza, bibliotecária da Unisul e membro do Grupo Cegos.Com


Pura realidade

Que artigo estupendo, magnífico! São a pura realidade os fatos retratados no artigo. Há falta de incentivo à produção de livros em braile e muita burocracia para atender aos pedidos de transcrição de livros feitos pelos deficientes visuais. Eu mesmo já enfrentei dificuldades. Ao recorrer a uma instituição, pediram-me três meses de espera somente para orçar a transcrição de um livro. Abraços de luta a todos.

Ricardo de Azevedo Soares, analista da Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro

Sem medo de ser feliz, amo os livros infantis

Por: Gisele Pecchio Dias Fonte: Webjornal "WMulher" www.wmulher.com.br 17/1/03

Lula chorou ao receber a carta de diplomação para exercer a Presidência da República do Brasil. Assisti as imagens do seu choro pela tevê, em casa, no último sábado, quando acabava de chegar de um workshop sobre a qualidade das emoções no ambiente de trabalho, onde eu também havia chorado.

Quando vi as lágrimas do Lula pensei nas generosas palavras da psicoterapeuta Anamaria Cohen, quando lhe perguntei porque somente eu havia chorado naquele grupo de pessoas, no momento de expressar uma tristeza.

- “Sua tristeza é muito bem-vinda, não há nada errado nela”, disse, pedindo à Ágata, sua filha e integrante do grupo, para segurar a minha mão.

Senti-me segura em demonstrar minha emoção; fui respeitada e acolhida pelas demais pessoas; no decorrer do trabalho em grupo, compreendi que por não ter a mesma aceitação da alegria, a tristeza é, algumas vezes, disfarçada. Nem sempre nos sentimos seguros para exprimi-la, com autenticidade, daí usamos o disfarce.

Minhas lágrimas, não compartilhadas, foram a expressão da tristeza. As lágrimas do Lula, compartilhadas, inclusive por mim, foram a expressão da alegria. Nada de errado nelas. São todas bem-vindas. Quem garante é a psicologia, que preconiza que saber lidar com as emoções é evitar doenças psicossomáticas.

O mundo moderno já produziu 350 milhões de deprimidos por causa do stress, alertou o consultor de empresas Flávio Freitas, parceiro de Anamaria Cohen na Cottage Consultoria, autor do Life Quality System, que tem beneficiado executivos e empresas a prevenir ou superar danos causados pelo stress.

Anamaria Cohen explicou-nos que são cinco as emoções autênticas e universais do ser biológico: a alegria, o afeto, o medo, a tristeza e a raiva. Ao longo das nossas vidas, aprendemos a disfarçar as emoções autênticas por outras como a vergonha, a timidez, a ansiedade, a irritação, a indiferença, o ódio, os ciúmes e a insegurança.

Os disfarces ocupam o lugar das emoções autênticas. Toda vez que isso acontece gera o stress, que pode nos levar à perda da capacidade de nos emocionar e de nos relacionar com os outros, caminho para a depressão e para outras doenças psicossomáticas, inclusive o câncer.

Como é inevitável continuar usando disfarces, embora aprimorando a capacidade de lidar com as emoções, encerro essa crônica ansiosa, ocultando o medo de não ser compreendida. É que na mesa, ao lado do teclado do computador, aguardam pela minha leitura os dois primeiros livros da recém lançada coleção "Erico Veríssimo para Crianças", que acabo de receber da Companhia das Letras.

“O Urso com Música na Barriga” e “A Vida do Elefante Basílio” são duas histórias contadas por um dos maiores escritores da literatura brasileira. Por meio da narrativa ágil e bem humorada, ele pretende auxiliar no desafio de expressar os próprios sentimentos, que acaba unindo dois personagens. Parece que ambos solucionam seus conflitos com o poder da imaginação e do afeto. São histórias que reforçam a importância das relações afetivas e da conquista da liberdade.

08/06/2006

Crônica [Rumo ao Sul...parte I]


escrita em agosto/2002
legenda de foto: Família Acioli, em Maceió (AL), década de 30; papai é o primeiro, à esquerda.

Rumo ao Sul Maravilha. Até quando?

Há quase sete décadas migrantes nordestinos eram trazidos a São Paulo como mão-de-obra escrava para servir nos cafezais do interior do estado, onde se misturavam com imigrantes trazidos da Itália, para o mesmo fim. A política expansionista de governos populistas iludia a população menos esclarecida, que embarcava no ITA, rumo ao Sul Maravilha, vindo ao encontro da doença, da miséria e da morte precoce.

Há 64 anos meus avôs paternos embarcaram nesse vapor. A história da minha família não é diferente de outras que continuam vindo para cá, com a mesma ilusão. Só que agora são motivadas a invadir terras particulares, até no perímetro urbano. Um sofrimento inútil. São Paulo e cidades como Osasco não suportam mais a demanda dessas correntes migratórias. Simplesmente porque não existem mais terras. E mesmo que houvessem, não há emprego e ninguém come terra.
Somos um país agrícola. É preciso plantar e colher da terra o nosso sustento. Temos 50 milhões de hectares cultivados no país e há outros 80 milhões de hectares prontos para serem cultivados, dependendo de decisões de governo.
Enquanto São Paulo e as grandes cidades deterioram devido à explosão demográfica e a falta de emprego, moradia, transporte e serviços para atender uma clientela que não pára de crescer, milhões de hectares de terra fértil estão prontos para o cultivo numa faixa compreendida entre os estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e outros estados do centro oeste brasileiro.
Depois da Índia, o Brasil é o país que possui o maior potencial de fronteiras agrícolas do mundo. E há empresários dispostos a investir US$ 600 milhões até o final de 2005 na ampliação dessas fronteiras agrícolas. Desses investimentos depende o incremento das nossas exportações e tudo vai depender da política governamental e do bom senso na condução das políticas públicas. É preciso dar um basta à demagogia e às ações imediatas que só contribuem para rebaixar a auto-estima e a dignidade do sofrido cidadão brasileiro.

Uma história que não acabou em tragédia. Mas poderia ...

1938. Seo Manuel, dona Ninfa Acioli Dias e os filhos Eloísa, José, Ivete, Elias, Elita, Hélio e Elza embarcam no vapor ITA rumo a São Paulo. Deixaram para trás a casa na rua do Sol, centro da bela Maceió, onde Manuel tinha um bar-restaurante, função exercida desde que deixou a Guarda de Honra do Palácio Marechal, sede do governo do estado de Alagoas. Meu avô paterno foi um dos milhões de brasileiros iludidos pela conversa fácil de políticos demagogos, que sempre agiram nessas terras.
José Acioli (meu pai), o primogênito, ficou inconformado por deixar para trás elegantes professoras, escolhidas para lecionar nas escolas públicas entre as melhores famílias alagoanas, o uniforme e os cadernos da escola técnica, que tanto o orgulhavam. Diversas vezes ele relatou-me a cerimônia de inauguração da sua escola, pelo presidente Getúlio Vargas, que buscou inspiração no modelo francês de ensino até no fardamento das crianças e no material didático,totalmente gratuitos. Papai dizia que estudava em período integral e já estava aprendendo artes e ofícios quando foi arrancado da escola por causa de uma decisão equivocada que iria mudar o destino da família. Ele já tinha a caligrafia linda que exibiu a vida toda e o gosto pelas cores e formas que o levaram a seguir, anos mais tarde, a profissão de pintor-letrista.
Vovó Ninfa deixou pra trás suas panelas e receitas finas que fazia com arte. Disseram para ela não levar louça, panelas, talheres nem mesmo roupas de cama porque aqui em São Paulo ela compraria tudo novamente, bem baratinho ...
Longos dias se passaram até o ITA atracar no porto de Santos. Ao desembarcarem, famílias nordestinas e mineiras eram transportadas, em trens, até o bairro do Brás, em São Paulo, para serem cadastradas no antigo departamento de imigração. Lá já haviam centenas de italianos aguardando pela triagem e encaminhamento para o trabalho forçado nos cafezais do interior do Estado...