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30/07/2006

Sem medo de ser feliz, amo os livros infantis

Por: Gisele Pecchio Dias Fonte: Webjornal "WMulher" www.wmulher.com.br 17/1/03

Lula chorou ao receber a carta de diplomação para exercer a Presidência da República do Brasil. Assisti as imagens do seu choro pela tevê, em casa, no último sábado, quando acabava de chegar de um workshop sobre a qualidade das emoções no ambiente de trabalho, onde eu também havia chorado.

Quando vi as lágrimas do Lula pensei nas generosas palavras da psicoterapeuta Anamaria Cohen, quando lhe perguntei porque somente eu havia chorado naquele grupo de pessoas, no momento de expressar uma tristeza.

- “Sua tristeza é muito bem-vinda, não há nada errado nela”, disse, pedindo à Ágata, sua filha e integrante do grupo, para segurar a minha mão.

Senti-me segura em demonstrar minha emoção; fui respeitada e acolhida pelas demais pessoas; no decorrer do trabalho em grupo, compreendi que por não ter a mesma aceitação da alegria, a tristeza é, algumas vezes, disfarçada. Nem sempre nos sentimos seguros para exprimi-la, com autenticidade, daí usamos o disfarce.

Minhas lágrimas, não compartilhadas, foram a expressão da tristeza. As lágrimas do Lula, compartilhadas, inclusive por mim, foram a expressão da alegria. Nada de errado nelas. São todas bem-vindas. Quem garante é a psicologia, que preconiza que saber lidar com as emoções é evitar doenças psicossomáticas.

O mundo moderno já produziu 350 milhões de deprimidos por causa do stress, alertou o consultor de empresas Flávio Freitas, parceiro de Anamaria Cohen na Cottage Consultoria, autor do Life Quality System, que tem beneficiado executivos e empresas a prevenir ou superar danos causados pelo stress.

Anamaria Cohen explicou-nos que são cinco as emoções autênticas e universais do ser biológico: a alegria, o afeto, o medo, a tristeza e a raiva. Ao longo das nossas vidas, aprendemos a disfarçar as emoções autênticas por outras como a vergonha, a timidez, a ansiedade, a irritação, a indiferença, o ódio, os ciúmes e a insegurança.

Os disfarces ocupam o lugar das emoções autênticas. Toda vez que isso acontece gera o stress, que pode nos levar à perda da capacidade de nos emocionar e de nos relacionar com os outros, caminho para a depressão e para outras doenças psicossomáticas, inclusive o câncer.

Como é inevitável continuar usando disfarces, embora aprimorando a capacidade de lidar com as emoções, encerro essa crônica ansiosa, ocultando o medo de não ser compreendida. É que na mesa, ao lado do teclado do computador, aguardam pela minha leitura os dois primeiros livros da recém lançada coleção "Erico Veríssimo para Crianças", que acabo de receber da Companhia das Letras.

“O Urso com Música na Barriga” e “A Vida do Elefante Basílio” são duas histórias contadas por um dos maiores escritores da literatura brasileira. Por meio da narrativa ágil e bem humorada, ele pretende auxiliar no desafio de expressar os próprios sentimentos, que acaba unindo dois personagens. Parece que ambos solucionam seus conflitos com o poder da imaginação e do afeto. São histórias que reforçam a importância das relações afetivas e da conquista da liberdade.

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