Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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27/06/2012

Fiquei paraplégica mas nada mudou

Continuo com as mesmas responsabilidades de antes do acidente que me deixou paraplégica. Sou a mesma mulher emotiva, sensível e direta nas minhas decisões. Com a coluna quebrada e outras graves sequelas foi embora a minha capacidade de fazer um montão de coisas ao mesmo tempo. Troquei o carro por uma cama motorizada e as pernas fortes da nadadora e ex-jogadora de basquete repousam frias sobre as pernas da cadeira de rodas que me conduz.
Desde cedo fui educada para servir e para a independência. Aprendi a lavar minhas calcinhas, depois minhas roupas. Com auxílio de um banquinho lavava toda a louça e fazia café e bolo para as visitas. Encantadas com a minha habilidade para auxiliar mamãe, na hora de ir embora as visitas sempre me davam um dinheirinho para comprar doces. Eu guardava as moedas num cofrinho e mais tarde minha mãe ia comigo depositar na poupança. Fui uma das primeiras crianças a abrir uma caderneta de poupança na antiga Haspa.
O que seria de mim hoje não fosse essa educação financeira? Também devo à mamãe esse primeiro passo.
Com 22 anos fui trabalhar como jornalista no Bradesco, primeiro na Fundação, depois no Banco. Lá aprimorei a disciplinada atitude de poupar de 30% a 40% do meu ganho mensal.
Hoje tenho conseguido pagar todas as despesas da casa, pessoais e ainda pessoal de enfermagem para cuidar de mim e uma maravilhosa auxiliar para ajudar a mim e a mamãe na arrumação da casa. Antes, era eu quem limpava, lavava e fazia tudo por aqui, até pintura de paredes e manutenção predial.
Não percebi que o tempo passou e que aos 50 anos uma mulher não deve pegar tão pesado assim. Ocorre que trabalho com redação, criação, pensando e planejando o tempo todo. Pensar dói. Então, o esporte e os serviços domésticos sempre foram uma forma de distração.
É tão gostoso arrumar gavetas num dia de chuva. Agora quase entro em pânico quando chove porque tenho medo de a enfermeira não aparecer para ajudar-me a sair da cama para começar o dia.
Graças a Deus fiquei sem tomar banho e fazer curativo um único dia.
Como escreveu-me Mara Gabrilli: "Uma pessoa disciplinada como você, que continua persistindo em acertar, subitamente descobre que por entre linhas tortas o mundo se acertou..."


Eu, mamãe e a sobrinha Marianna, que hoje faz aniversário. PARABÉNS MARI!

25/06/2012

Tenho muito para agradecer

Ontem permaneci 8 horas na cadeira de rodas. Procurei respirar, me concentrar nas graças que tenho recebido do Senhor, no amor e dedicação da mamãe, nas queridas amizades que me foi possível conservar e nos amigos novos que vieram ao meu encontro nos dias e meses que tenho passado entre a minha casa e os ambulatórios do hospital, em especial o da Dra. Ana Maria e na sala de fisioterapia, todas as segundas-feiras. 
Aprendi a conviver com a intensa dor física e a resistir aos analgésicos até não mais suportar a dor. Tenho agradecido aqueles que pouco fazem por mim, mais pelo despreparo e falta de cultura de convívio com o diferente do que pela pouca fé. São essas pessoas que, afinal, têm contribuído para que eu continue conjugando os verbos favoritos por mim: planejar, fazer e servir.
Peço a Deus que abençôe a todos, em especial aqueles que estão ao meu lado na alegria e na tristeza.
Além dos amigos e primos que deixaram o seu recado na minha página em redes sociais, agradeço aos que telefonaram (primas Leda, Lea, Nívea, e Dora; tia Neyde; sobrinhas Pamela e Marianna; amigos Eli, Edna, Flávio, Mario Luiz, Malu e dona Cota) e me visitaram (Elzineth, Cecilinha, dona Luiza, Fabiana e as pequenas Isabela e Giovana).
Quem não veio perdeu o bolo Floresta Branca, as pipocas, os parabéns e o Pai Nosso que tivemos a graça de rezar juntinhas.
Lourenço, meu irmão, ficou entretido com o jogo do Timão e me alegrou com os gritos na hora do gol. Minha mãe (Fany) e Luiza trocaram abraços e emoções que somente as mães compartilham. Elas são amigas desde há muito; nossas famílias foram vizinhas durante décadas até que minha amiga Cecília resolveu deixar o centro de Osasco e mudar com a mãe para bairro próximo daqui.
Elzi é uma querida por quem tenho o profundo sentimento de amizade. Trabalhamos juntas na Prefeitura do Município de Osasco. Somos servidoras de carreira e aprendemos mutuamente na lida por gostar de exercitar nossas habilidades e dons.
Enquanto encerro este post, na primeira pessoa, ouço Andrea Bocelli. Antes de ir para a cama vou ouvir Smile, na interpretação mais linda que o mundo já ouviu, na voz de Michael Jackson. Saudades...  

23/06/2012

VIVA SÃO JOÃO!

São 53 anos comemorando aniversário no Dia de São João; cincoenta e dois deles na mesma rua onde moro. Hoje, centro de Osasco.
Quando aqui cheguei com meus pais e meu irmão, o nome era rua Particular. Osasco era um Distrito de São Paulo. Não existia como cidade. Rua barrenta, escura, sem água, esgoto, onde à noite o barulho da saparia era tudo o que se ouvia. 
Meus aniversários eram comemorados com fogueira, pipoca e bolo de fubá. Os vizinhos traziam cadeiras e se juntavam à nossa família para conversar, comer e se aquecer ao som das brincadeiras de criança.
Foi muito bom ter participado do progresso desta, hoje, pujante cidade, uma das maiores do Brasil.
Papai foi o primeiro pintor letrista de Osasco, tendo deixado a marca dos seus pincéis nas fachadas das primeiras casas de comércio e logradouros públicos. 
Tempos depois, com a emancipação, Dr. Hirant Sanazar, primeiro prefeito de Osasco, veio pessoalmente convidar Acioly (José Acioly Dias) para trabalhar na prefeitura. Ele sempre manteve o costume de passar em casa, de tempos em tempos, para tomar café com meus pais e encomendar algum serviço particular.
Neste 24 de junho a comemoração será diferente. Sem fogueira, pipoca nem vizinhos. Mas estarei aqui, com minha família e os amigos que não nos deixam, em especial quando o chão nos falta. Viva São João! 
Fany e Neyde Pecchio, sempre as primeiras a lembrar do meu aniversário.

Agradecida por tanto Amor, base que me sustenta no momento que me falta o chão.

21/06/2012

Cuidador está ao lado da Gi 24 horas


O poodle Toby teve o nome inspirado na personagem Toby.




 

Isso sim é presença 24 horas. Tobinho esperou pela sua dona 8 meses, enquanto esteve internada. Cada vez que tocava o telefone de casa ele encostava o ouvido para ouvir a voz da Gi, que todas as manhãs ligava para falar com a mãe, a incansável e amorosa Fany.
Gisele está em casa há um ano e meio.
Feliz, Toby fica embaixo da cama da Gi, no seu colo quando está na cadeira de rodas ou lambendo as suas pernas, na esperança que a dona volte a andar para brincar de jogar bolinha com ele.
Quando Gi fica triste, ele se entristece também. Quando fica alegre, somente falta sorrir. Quando os enfermeiros vêm buscar Gi de ambulância para levá-la ao hospital, Toby pula em cima da maca.
É muito comovente a lealdade de um cão.
Como escreveu Walcyr Carrasco: "os animais também amam, sofrem e têm sentimentos; eles também têm a marca de Deus".









13/06/2012

Carlos Drummond de Andrade para crianças

"Que vai ser quando crescer? vivem perguntando em redor.
Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? (...)"

Verbo ser - Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

A editora Cia. das Letras está reeditando a obra de um dos maiores poetas brasileiros, que estreou na literatura em 1930 com "Alguma poesia". Ao longo de sua vida, o poeta de Itabira (MG) publicou mais de 30 livros, alguns deles para crianças. Em "Menino Drummond", a Cia. das Letrinhas oferece ao público infantil este primoroso encontro com a obra de Drummond. Lançamento previsto para o próximo dia 19 de junho.

03/06/2012

Ao pó voltarei e não à água

 "...Antes do acidente, alegria para mim era poder desfrutar das coisas simples da vida, cuidar da família, da casa, trabalhar e ver o sorriso no rostinho dos meus pequeninos leitores numa sessão de leitura e desenho para colorir. Hoje, há dois anos e meio sem sair de casa, alegria para mim são as mesmas coisas de antes e o imenso desejo de viver sem dor física, sem umidade no corpo, sem sonda, calçada e vestida adequadamente para sair de casa. Quem pode me ajudar nesta readaptação à vida?"
Estou inscrita na rede Lucy Montoro, sob nº IRLM 2156, em 10/2/11 e na AACD sob nº 135939. Enquanto meu corpo atrofia, continuo rezando, suando, pagando em dia meus impostos, plano de saúde, fazendo o que posso e esperando a minha vez... E que seja breve, antes que eu vire uma poça d'água.

Antonio Sproesser é Médico da Família

Assista a entrevista que ele deu ao Edu Guedes (Record News) clicando neste link ou copiando

http://noticias.r7.com/record-news/videos/116-receita-pra-dois/edu-guedes-recebe-o-dr-antonio-sproesser-no-receita-pra-dois/4fcada346b717935e0a74722/

O médico Antonio Sproesser é um exemplo a ser seguido por todos os jovens acadêmicos, em qualquer área do conhecimento. Ele trabalha no Hospital Albert Einstein. Encantou-me ao afirmar que se formou médico pela USP e após passar pela R1, R2 e R3 disse para si: "não sei nada". Queria trabalhar em pronto-socorro e UTI, onde a conduta precisa ser rápida e precisa. Trabalhou no PS e na UTI do Hospital das Clínicas e continuou dizendo para si: "não sei nada".
Foi para os EUA e lutou muito para ser aceito num hospital de Miami. Queria lidar com traumas. Na primeira tentativa não foi aceito. Trabalhou na Califórnia, onde dirigiu hospital, Pittisburg, até conseguir trabalhar em Miami.
"Nos EUA o médico não pode errar. O erro lá não é escondido, dá processo e perda do registro profissional".
Dos EUA foi para a Europa, onde continuou trabalhando como um eterno aprendiz na Itália e Alemanha. Voltou para o Brasil e abraçou com AMOR o que menos se valoriza por aqui: a MEDICINA DA FAMÍLIA. Assista, reflita e divulgue. Não podemos mudar o que fizerem com parte dos nossos médicos e gestores da Saúde, mas podemos contribuir para formar eternos aprendizes. GENTE para CUIDAR da GENTE.