Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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29/05/2011

Cultura de Osasco busca autores da cidade

Uma ideia muito boa a Secretaria de Cultura da Prefeitura de Osasco buscar pelos autores osasquenses e suas obras para homenageá-los no Dia da Pátria. Recebi e-mail solicitando o meu currículo e já respondi. A única escola pública municipal da cidade cujos professores e alunos conhecem o meu trabalho é a Emef Prof. João Larizzatti, graças ao trabalho da Profa. Magali (Língua Portuguesa).
Em meados de 2004 lá estive em palestra. A escola utilizou o meu primeiro livro, Um Par de Asas para Toby, de forma multidisciplinar. Até nas aulas de educação física, já que o protagonista é um cão corredor e goleiro do time dos meninos da praia do Arpoador (Juréia-Itatins).
  Mariana é alfabetizada em braile no Colégio Ofélia Fonseca

Profa. Magali e alunos recebem Gisele
Em Osasco, também conhecem meus livros, em edições tinta, braile+tinta ampliada e audiolivro, os alunos e professores dos colégios: Anglo Da Vinci, Fernão Dias Pais (colégio e faculdade de Letras), Desafio, Aplicação, Pingo de Gente Unifieo (Geografia e Letras), Padrão Universal e Papa Mike.

24/05/2011

SAUDADE DE MIM

Hoje recebi três pedidos de compra de livros da loja da Livraria Cultura de Porto Alegre. "Toby e os Mistérios da Floresta", em tinta. Os livros estão no meu quarto, onde jamais pude estar depois do trágico acidente, em março do ano passado.
Tenho saudade de mim subindo e descendo a escada que leva ao meu quarto, limpando a casa, cozinhando, indo ao mercado municipal bem cedinho comprar o pãozinho, as frutas, os ossinhos e a ração do Toby. Adoro estar no mercado municipal de Osasco. Ele faz parte da minha infância e adolescência.
Fui aluna do então tradicional Ceneart, colégio estadual que abriga não só alunos e professores mas centenárias e belas árvores frutíferas que atraem pássaros, borboletas e meninos tentando degustar uma ou outra fruta.
O colégio fica em frente ao mercado.
O meu quarto fica perto e impossível para mim.
Nem lembro mais das roupas que deixei nos cabides. Mas sei que lá está o meu vestido favorito: uma jardineira jeans aveludada costurada com linha cor de laranja e botões da mesma cor nas costas e nas alças da frente. Ganhei-a da mamãe aos 14 anos e até pouco tempo antes do acidente ainda usava este vestido. Só precisou de um ajuste abaixo dos braços e mais nada.
_ Quem tem e usa um vestido há 37 anos?
_ Eu tenho mas não aprendi a me vestir. Uso sonda e não tenho equilíbrio de tronco.

_ Quem tem um carro Fiat UNO 1.5R que é parceiro há 22 anos?
_ Eu tinha mas vendi em março último para comprar uma cama hospitalar, onde passo a  maior parte do meu tempo. Graças às úlceras de pressão que ganhei no hospital não consigo ficar sentada por muito tempo. Tenho que deitar e virar o decúbito de quando em quando.

22/05/2011

Bom é sentir o bem

Hoje recebi e-mail da amiga Marta Gil, uma pioneira em acessibilidade por meio da Rede Saci, da Universidade de São Paulo, que funciona numa sala ao lado do Instituto de Estudos Avançados da USP, onde tive o privilégio de receber os ensinamentos do mestre Aziz Ab'Sáber para escrever sobre a Amazônia, seus povos e ecossistemas aos estudantes do ensino fundamental. O livro consta do catálogo da editora Moderna e está à venda na Livraria Cultura. Publico abaixo o e-mail da Marta com a emoção de saber e sentir que não estou só neste labirinto em que me encontro encerrada em meu próprio corpo, sem condições de mover nem sentir meu quadril nem minhas pernas geladas e constantemente úmidas.


Gisele, oi, flor



Pra vc acompanhar. Tem muita gente que gosta de você!
Força e Luz!
beijos

Marta Gil


A Rede Saci se mobiliza para auxiliar uma antiga colaboradora que se encontra em dificuldades

da Redação

Gisele Pecchio, escritora de obras infantis acessíveis (quem não lembra das aventuras do cãozinho Toby?), há cerca de um ano e meio sofreu acidente doméstico, ficou paraplégica e luta para manter seus tratamentos e sua vida. Esta fase pós trauma é dura e Gisele precisa de apoio.

A Rede SACI conhece e admira o trabalho de Gisele e vem agora participar de campanha para auxiliar em sua recuperação.

Doações em dinheiro devem ser depositadas na seguinte conta:

Banco Bradesco
Agência: 3561-0 (Osasco)
Conta: 236988-5

Fabricantes de cadeiras de rodas, de camas hospitalares e qualquer outra pessoa que deseje ajudar de alguma maneira pode entrar em contato com Gisele pelo e-mail gisele.jorn@uol.com.br

São poucas as obras infantis acessíveis. A compra desses livros pelo MEC - Ministério da Educação, Secretarias de Estado, municipais, bibliotecas públicas seria muito bem vinda para todas as crianças, não é mesmo?

Comprando os livros de Gisele Pecchio que estão na Livraria Cultura você também estará colaborando!

Para comprar acesse:

www.livrariacultura.com.br - Gisele Pecchio

Acesse o blog da Gisele Pecchio:

www.gpecchio.blogspot.com







51 anos em Osasco

Como fazemos todas as noites, eu e mamãe nos damos as mãos, rezamos o Pai Nosso e agradecemos por mais um dia. Na noite passada ela lembrou que naquela data, 21 de maio, do ano 1960, nossa família havia chegado em Osasco. Eu vim deitada num bercinho de madeira clara na carroceria de um pequeno caminhão de mudança. Não sei detalhar como foram acomodados meu irmão Lourenço, minha mãe Fany e meu pai José naquele caminhão. O fato é que chegamos, vindos de São Paulo, da rua Albuquerque Lins, onde nasci. Viemos para aqui morar e construir o nosso futuro, para sempre.
Nossa primeira moradia era na rua B. Coutinho, nos fundos da casa da dona Inês, uma grande apreciadora de vinho tinto, segundo conta mamãe. Depois mudamos para a rua São Luiz até fixarmos residência na então rua Particular, hoje rua Lanciotto Viviani.

04/05/2011

Amigas?

- Amigas? - perguntou o médico-cirurgião de coluna que me operou para um grupo de amigas que estava no meu quarto, dias após eu ter saído da UTI. Lembrei-me do semblante dele, já acostumado com histórias como a minha. No começo são muitos os amigos. Com o passar do tempo temos por nós Deus e a nossa mãe. Feliz daquele que ainda tem uma mãe como eu tenho a minha.

Liguei para uma dessas amigas para desejar-lhe Feliz Páscoa e para reforçar o valor de uma amizade e o apreço que tenho pela família dela, em especial a mãe, uma maravilhosa e batalhadora dona-de-casa. Ela disse-me: "não teria sido melhor você ficar no hospital, internada não daria menos trabalho à sua mãe?". É, talvez se um dia ela ficar longe da filha, por motivo de doença, entenderá o quanto minha mãe sofreu na minha longa ausência. Soube que não dormia e não comia. Nem ela nem o nosso cãozinho. Hoje ainda sofremos muito mas estamos juntinhos, até quando Deus quiser.

Na foto, eu e mamãe no Sesc Vila Mariana com os amigos Mario, Malu e dona Cota. Eles oram por mim todos os domingos, às 19 horas, e jamais deixaram de me ligar ou visitar. Malu e Mario são gêmeos, ele é leitor dos meus livros em braile.