Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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23/01/2012

Toby acessível está na Livraria Cultura

Alegra-me saber que embora eu ainda não possa ir ao encontro das crianças em divertidas oficinas de leitura e desenho para colorir, as lojas da Livraria Cultura estão sempre enviando pedidos de compra dos livros da coleção Toby. Em 2011 todos os livros pedidos foram vendidos e acabo de receber o primeiro pedido de 2012, uma remessa para a loja do Shopping Villa Lobos. É maravilhoso saber que o meu trabalho autoral continua cumprindo o seu destino nas mãos dos leitores, crianças de todas as idades. 
Gisele com alunos do Colégio Desafio (Osasco-SP)

15/01/2012

DEFICIÊNCIA. VIVER DIFERENTE OS MESMOS DIREITOS

Neste 11 de janeiro consegui mais uma vitória: não me aposentar por invalidez. Disse à médica-perita que o trabalho e o abandono de práticas conservadoras no campo das ciências médica, da saúde e das relações humanas são importantes na reabilitação e integração do ser humano. Cada pessoa com algum tipo de deficiência ou necessidade especial é uma oportunidade a mais para aprimorar as relações humanas na família, no trabalho e na sociedade.No Brasil são 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência e no estado de São Paulo mais de 3 milhões. 
Vivemos num mundo excludente, desde os primórdios da formação dos diferentes povos e culturas sobre a face da Terra. Impera a lei do mais forte.
Se pessoas com deficiência ou necessidade especial ficarem recolhidas em suas casas, em seus quartos, a sociedade perde oportunidade de avanço civilizatório.
Algum dia, aqueles que tiverem a graça de envelhecer, com ou sem saúde para desfrutar as graças da vida terrena, poderão necessitar de meios e modos adaptados para ver, ouvir, andar, falar, sentir ou até para o essencial: comer, beber e necessidades fisiológicas.
No meu caso atual, preciso de ajuda para simples transferências da cama para a cadeira e da cadeira para a cama. Para uma pessoa sem lesões de comprometimento motor isso é natural. Para nós, cadeirantes, é questão de sobrevivência ir buscar ajuda para o simples quando não se pode pagar para ter uma assistente de domingo a domingo, durante 24 horas.
Em Portugal são reinvindicados assistentes pagos pelo Estado para auxiliar pessoas sem condição de auto-ajuda para viver diferente os mesmos direitos.
Enviei à Mara Gabrilli (PSDB-SP), primeira deputada federal tetraplégica, sugestão para estudo de lei que possa vir ao encontro dessa necessidade premente: viver. 
O leitor pode estar se perguntando, quem é essa Mara?
Foi reconhecida como a terceira melhor deputada federal no último exercício e, não obstante os limites do seu corpo, é a política que mais tem se empenhado na luta pela quebra de barreiras e para oferecer condições dignas para pessoas que sofrem, invisíveis para a sociedade.
Imagina o que é abrir a porta para pedir ajuda a estranhos para ir para a cama?
Imagina o que é não poder sair do leito por falta de ajuda e meios? 
E quando falta a família, pessoas sem condição de auto-ajuda são institucionalizadas até a morte?
Não é o que preconiza a atual legislação dos direitos das pessoas com deficiência.
Até que cheguemos ao último ato no grande espetáculo da vida são necessárias pontes de acesso e não barreiras arquitetônicas, comportamentais e de entendimento entre o insubstituível: os atores do grande espetáculo da vida. Penso ser essa uma das partituras deixadas ao nosso estudo pelo amoroso Maestro.
Gisele Pecchio Dias, jornalista, escritora, paraplégica (Osasco-SP)
Gisele com aluno Enzo Antonio no Colégio Ofélia.
Ele tem nas mãos um cavalinho que fez com folhas
de papel. A imagem remete ao lendário Dom Quixote.
Tudo a ver com o tema em questão.

08/01/2012

CULTURA INDÍGENA

Dia destes vi o biólogo Richard (Aventura Selvagem-SBT) num ritual indígena numa aldeia maoé na Amazônia (falo sobre eles no meu terceiro livro: Uma Aventura na Amazônia - Raycha).
Uma luva de palha recheada de formigas é colocada nas mãos de homens da aldeia desde a mais tenra idade.
Richard participou do ritual com um indiozinho de uns 11 anos de idade. No final, chorava de dor e foi parar num hospital para tomar soro e analgésico. Antes, perguntou ao menino-índio:
- Você não sente dor?
Ele respondeu:
- Sinto, mas não choro. Um homem não chora. Aprendi a controlar a dor física com a meditação.
- Nem por amor? - perguntou Richard.
- Ah! Por amor um homem deve chorar sim - respondeu o menino.
É por isso que amo tanto a cultura indígena.


(Publiquei este diálogo em post à Soninha e resolvi compartilhar com todos essa maravilha da cultura indígena)

RECEITA

A Soninha pediu e aqui vai a receita. Em casa deu para cinco pessoas e ainda sobrou.

3 ovos inteiros
3 xícaras de farinha
Azeite
Manjericão fresco
Queijo parmesão fresco ralado
Sal

Numa bacia colocar a farinha e os ovos inteiros na proporção de 1 ovo para cada xícara bem cheia de farinha. Adicione um fio de azeite e folhas de manjericão ou manjerona.
Mexa bem a massa com a colher, depois amasse com as mãos até ficar bem consistente.
Vá adicionando mais farinha até que fique no ponto bom para abrir sem grudar.
Divida a massa em pequenas porções para facilitar a abertutra da mesma com o rolo de macarrão.
Pegue cada porção e vá abrindo até ficar a 1 ou 1,5 milímetro de largura e do comprimento suficiente para enrolar feito rocambole a 20 ou 25 centímetros de comprimento.
Esta receita rende em torno de sete placas de massa para enrolar.
Deixe-as secando um pouco sobre a mesa enfarinhada por alguns minutos.
Depois enrole e corte em tiras de 0,6 centímetros ou da largura desejada.
Ferva água em caldeirão ou panela, adicione sal a gosto e um fio de óleo.
Por último coloque para cozinhar as tiras de macarrão.
O cozimento é bem rápido.
Adicione o molho de sua preferência.










Eu e a Pamela escolhemos molho ao sugo e quem preparou foi a nossa queridiíssima Fany.



















Marianna e Lourenço vieram prontos para degustar e ajudar a lavar a louça.

T










Toby ficou só olhando, feliz da vida porque a família se reuniu à mesa pela primeira vez este ano.

Macarrão caseiro

Com a ajuda da Cleide hoje me vesti, estou firme na cadeira e contarei com a ajuda da Pamela para fazer macarrão caseiro (uma das minhas habilidades culinárias). Será um exercício para o meu equilíbrio de tronco. Gostaria que a Cleide e o Edu almoçassem comigo. Ele está no plantão e ela deve descansar para trabalhar à noite. Também precisa se recolher na individualidade para chorar a morte da sua Meg. Vi a foto dela no celular da Cleide. É a carinha do Toby. Mais uma estrelinha que brilhará no céu para toda a eternidade, no colinho de Jesus.
Se alguém quiser a receita do meu macarrão envio por e-mail.

07/01/2012

Eli





















ilustração: Mecchi.
Pintura eletrônica: Renato de Oliveira, em "Uma Aventura na Amazônia - Raycha", Livraria Cultura

Ontem me visitou a senhora Eli Crudo. Uma doçura de mulher. Foi para ela que liguei quando estava para ter alta hospitalar e me sentia morta para enfrentar o mundo aqui fora. Estava esquálida, anêmica, torta e dura feito uma pedra do estômago para baixo.
Mamãe estava para chegar e eu não desejava que me visse daquele jeito. Chorava como uma criança e pedia para ir embora desse mundo. As duas mães (Eli sempre diz que é minha segunda mãe e tem muito amor por mim) chegaram juntas e trouxeram-me de volta para casa.
Hoje continuo dura e torta mas estou menos debilitada para enfrentar a selva de pedra.
Na cultura indígena eu já teria sido entregue ao Tupã num bonito ritual de passagem. Os índios sacrificam sem dor crianças e adultos impossibilitados de viver na selva verde e enfrentar seus perigos.
Os brancos fingem que nada veem. Fingem que não conhecem as leis da cultura branca e a montanha de dinheiro público disponível aos programas de entidades governamentais e não governamentais voltadas a garantir ao menos a qualidade de vida para quem nem consegue se arrastar. Quase todos fingem cuidar da inserção social dessas pessoas na selva de pedra, sem dor. Quase todos...
Por meio do Instituto Mara Gabrille e do Programa Cadê Você, mantido pela ong da primeira deputada federal tetraplégica, tenho conseguido o necessário para manter minha qualidade de vida: cadeira, almofada e colchão de alta tecnologia para manter o mínimo de qualidade de vida e dignidade. E o principal: um exemplo que poderei seguir se tiver o apoio de irmãos de fé e de princípios para lutar pela minha vida, pela volta ao trabalho e ajudar quem espera por um pouco do que já consegui até aqui com a minha mente e minhas mãos.

05/01/2012

Eliana Aragoni

A Eliana continua ajudando muito nos cuidados com o poodle Toby. Nosso cãozinho é cardíaco e precisa de ração especial. Estou impossibilitada de ir ao Mercado Municipal buscar a ração. A Li continua entregando em minha casa com o mesmo carinho que me atendia na sua loja. Hoje ela nos surpreendeu, a mim e a mamãe, com mais uma delicadeza: perfumes com aroma vindos da França. Anteontem nos visitou dona Irma, trazendo um panetone. E eu não pude recebê-la como gostaria. Na parte da manhã a casa fica agitada com afazeres: banho, curativo, limpeza de piso, cuidados com o Toby e preparação do almoço. Na parte da tarde é bem melhor para receber visitas.