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09/11/2006

Peruíbe [parte I]

Bento, José (papai), José Lourenço (irmão) e eu, da esquerda à direita.

Acabo de chegar de Peruíbe,
para onde sempre volto

Tem sido assim desde os meus 6 anos de idade, quando vi o mar pela primeira vez na cidade cujo padroeiro aniversaria comigo, no Dia de São João.
Aos pés da escultura do santo padroeiro fiz a minha primeira pose para foto. Chorando, com medo de cair lá do alto.
Minha família ficava hospedada no lar de Cândida e Bento.
O casal anfitrião morava perto da estação ferroviária, numa casa de madeira muito limpa, rodeada de flores.
Éramos recebidos com simplicidade e bondade e nem parentes éramos do ferroviário Bento e da benzedeira Cândida.
Eu e meu irmão dormíamos à luz de vela e tomávamos banho de canequinha porque na casa não havia água encanada, nem luz elétrica e muito menos chuveiro.
Mas no lar de Cândida e Bento havia comida cheirosa, roupa limpinha e acolhimento.
Dormíamos sonhando com castelos de areia enfeitados que o mar encomendaria para uma onda vir buscar.
E nossas mãozinhas empreendedoras entregavam às ondas do mar quantos castelos fossem encomendados por ele.
Cinco, seis, oito por dia.
O dono-mar adorava encomendar os castelos que fazíamos cada vez mais altos e enfeitados. Hoje, a casa de Cândida e Bento não existe mais.
Eles também não estão mais entre nós. Nem papai.
Mas o mar, as praias e as conchinhas continuam lá.
E não faltam crianças empreendedoras erguendo todos os dias paredes de castelos que uma onda mansa e branca transformará em lembrança o que já foi real.

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