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15/01/2012

DEFICIÊNCIA. VIVER DIFERENTE OS MESMOS DIREITOS

Neste 11 de janeiro consegui mais uma vitória: não me aposentar por invalidez. Disse à médica-perita que o trabalho e o abandono de práticas conservadoras no campo das ciências médica, da saúde e das relações humanas são importantes na reabilitação e integração do ser humano. Cada pessoa com algum tipo de deficiência ou necessidade especial é uma oportunidade a mais para aprimorar as relações humanas na família, no trabalho e na sociedade.No Brasil são 46 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência e no estado de São Paulo mais de 3 milhões. 
Vivemos num mundo excludente, desde os primórdios da formação dos diferentes povos e culturas sobre a face da Terra. Impera a lei do mais forte.
Se pessoas com deficiência ou necessidade especial ficarem recolhidas em suas casas, em seus quartos, a sociedade perde oportunidade de avanço civilizatório.
Algum dia, aqueles que tiverem a graça de envelhecer, com ou sem saúde para desfrutar as graças da vida terrena, poderão necessitar de meios e modos adaptados para ver, ouvir, andar, falar, sentir ou até para o essencial: comer, beber e necessidades fisiológicas.
No meu caso atual, preciso de ajuda para simples transferências da cama para a cadeira e da cadeira para a cama. Para uma pessoa sem lesões de comprometimento motor isso é natural. Para nós, cadeirantes, é questão de sobrevivência ir buscar ajuda para o simples quando não se pode pagar para ter uma assistente de domingo a domingo, durante 24 horas.
Em Portugal são reinvindicados assistentes pagos pelo Estado para auxiliar pessoas sem condição de auto-ajuda para viver diferente os mesmos direitos.
Enviei à Mara Gabrilli (PSDB-SP), primeira deputada federal tetraplégica, sugestão para estudo de lei que possa vir ao encontro dessa necessidade premente: viver. 
O leitor pode estar se perguntando, quem é essa Mara?
Foi reconhecida como a terceira melhor deputada federal no último exercício e, não obstante os limites do seu corpo, é a política que mais tem se empenhado na luta pela quebra de barreiras e para oferecer condições dignas para pessoas que sofrem, invisíveis para a sociedade.
Imagina o que é abrir a porta para pedir ajuda a estranhos para ir para a cama?
Imagina o que é não poder sair do leito por falta de ajuda e meios? 
E quando falta a família, pessoas sem condição de auto-ajuda são institucionalizadas até a morte?
Não é o que preconiza a atual legislação dos direitos das pessoas com deficiência.
Até que cheguemos ao último ato no grande espetáculo da vida são necessárias pontes de acesso e não barreiras arquitetônicas, comportamentais e de entendimento entre o insubstituível: os atores do grande espetáculo da vida. Penso ser essa uma das partituras deixadas ao nosso estudo pelo amoroso Maestro.
Gisele Pecchio Dias, jornalista, escritora, paraplégica (Osasco-SP)
Gisele com aluno Enzo Antonio no Colégio Ofélia.
Ele tem nas mãos um cavalinho que fez com folhas
de papel. A imagem remete ao lendário Dom Quixote.
Tudo a ver com o tema em questão.

3 comentários:

  1. Você é uma abençoada guerreira.
    Tenho visto pessoas desejarem se aposentar apenas porque perdeu uma unha ou um dedinho.
    Deus continue a te abençoar, fartamente.
    Quanto a solicitar ajuda a "estranhos", é a chance que Deus nos dá para nos conhecermos melhor, uns aos outros...
    abraços fraternos

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  2. Gisele, parabéns pelo excelente texto e obrigada pelas palavras de carinho!
    Um grande beijo,
    Mara Gabrilli.

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  3. Infelizmente perdi uma batalha. Em 1º de outubro de 2013 fui aposentada por invalidez.

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Agradeço pela sua presença. Abraço meu, Gisele