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04/11/2011

AMANHÃ A DEUS PERTENCE








Blog da Gisele Pecchio
O gerente do estacionamento que serve ao banco Santander, ao lado da minha residência, é um amigo de longa data.
Somos vizinhos. Laércio é dono de uma contagiante risada que alegra qualquer coração. Sempre ouvia a sua risada e sorria para mim mesma quando estava nos afazeres da casa, cozinhando, lavando, esfregando e limpando, além do trabalho de redatora, escritora e palestrante batucando nas teclas do computador.
Nos últimos dez meses em casa, desde a alta hospitalar, tenho ouvido pouco a risada do Laércio. Ele também nunca mais me viu na intensa atividade doméstica, que incluia serviços de pintura e textura em paredes, limpeza da caixa d'água, de gordura e até consertos no telhado.
Telhado. Foi esta a minha última e trágica empreitada aqui em casa. Em 7 de março de 2010 cai de uma altura de 4,5 metros (quase nada para mim, há 52 anos acostumada a subir e descer de muros, lajes e telhados).
Laércio jamais viu tanto entra e sai na minha calma residência. Enfermeiros do resgate e enfermeiros e médica do atendimento domiciliar (home care) do convênio próprio de tradicional hospital particular de Osasco.
Ontem, 3 de novembro, me entristeceu o fato de uma médica ter se recusado a pagar o estacionamento, deixando Laércio constrangido. Ela estava em carro de serviço do atendimento domiciliar. Era só pagar e pedir o reembolso ao hospital.
Deixou-me constrangida o fato de saber que abusaram da amizade e estima que meu vizinho tem por mim.
Papel feio para uma "doutora", que também não soube respeitar a dona da casa onde entra de vez em quando. Minha mãe tem um nome e é lindo: Fany. Ela a chamou de velhinha. Que feio para uma pessoa que deveria ter sido educada para tratar bem as pessoas. Tratar bem é ter o cuidado de saber o nome das pessoas da casa que se visita.
Até animal tem nome. Trabalhei alguns anos numa empresa agropecuária e lá os médicos-veterinários, alguns deles realmente doutorados, chamavam os animais pelo nome. A alegria do cliente, no caso o pecuarista, era ouvir o nome de cada um do plantel. Muitas vezes animais são bem melhor tratados do que seres humanos. Até nos singelos pet shops é assim. Dá até inveja do cãozinho aqui de casa. Não posso mais levá-lo mas o dono do pet vem aqui e o leva e o traz no colo. A Eliana e o Sidney, da Casa Coelho (fica no Mercado Municipal de Osasco, tel. 42374975) vêm em casa trazer a ração dele. Quanto carinho e amor...
Fique claro que pago pelas sessões de fisioterapia, se não quiser ficar mais dura e torta do que estou. Pago pelos serviços de técnica de enfermagem que faz o procedimento diário nos curativos das feridas que corroem o meu glúteo e a minha alma.
Fique claro que autorizei Laércio a não cobrar o estacionamneto das pessoas que diária ou semanalmente cuidam de mim e são pagas por mim. O estacioanmento eu pago, embora ele possa relutar em fazer a cobrança. Como pago em dia o convênio do hospital, os meus impostos e pelos procedimentos de cada profissional que tem me assistido aqui em casa.
Assistência em casa. Outra árdua e cansativa busca diária para uma paraplégica (não sinto nem mexo parte alguma do meu corpo abaixo do estômago). Se eu quiser tomar banho e receber curativos diários tenho que seguir o ditado: "quem não chora não mama".
Como tenho chorado...
Onde estão as pessoas habilitadas para cuidar da gente nessas condições, aqui em Osasco?
Tive uma cuidadora que ficou aqui quase meio ano e não aprendeu a trocar a minha fralda. Quando me acompanhava no hospital me jogava na maca como se eu fosse um saco de batatas. Quase fraturou a minha já fraturada coluna ao assegurar ao ortpedista que conseguiria transferir-me sozinha da cadeira de rodas para uma maca altíssima. Resultado: se o doutor não atendesse ao meu pedido de socorro a mulher teria me derrubado "na chom".
Será que amanhã tomarei banho e terei curativos?
Que essa força cósmica e invisível, Senhor do Tempo e dos Mundos, esteja sempre viva e presente em meu ser, principalmente nos momentos de maior fraqueza, solidão e desânimo. Que assim seja. Amém.

Um comentário:

  1. Oi linda!
    Se eu morasse aí e Deus me permitisse eu te daria uma mãozinha.
    Mas sei que Ele está preparando pessoas lindas,interiormente, para te dispensarem cuidados especias que tanto mereces.
    Deus continue a te amparar.
    abraços,soninha

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Agradeço pela sua presença. Abraço meu, Gisele