Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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08/09/2009

ENTREVISTA

Transcrição na íntegra de entrevista realizada com Gisele Pecchio para compor a matéria Mais do que para crianças, os novos livros infantis são para pessoas, revista "Vila Cultural", edição 64, set/09, págs. 8 a 10. Descrição da Imagem: Capas do livro "Uma Aventura na Amazônia - Raycha", traz as personagens Toby, Laura e Raycha num barco sobre as águas do rio-mar e o Xeique (Prof. Ab'Sáber) com crianças indígenas e vitórias-régias. 














Literatura para crianças
de todas as idades

- Você acredita que existem elementos ou temas específicos que devem fazer parte dos livros infantis?

- O lúdico e o imaginário são importantes na composição de histórias para crianças, sem infantilizar. O que não significa eliminar os diminutivos e a doçura da linguagem mas utilizar elementos do discurso amoroso de forma equilibrada.

- Quais são eles?
- Trazer para a ficção elementos da realidade é uma forma divertida de motivar a criança a experimentar o mundo por meio de imagens, palavras, sons e sensações. Quando transformo um bando de pássaros em “esquadrilha da fumaça” e os apresento como os melhores amigos de um cão estou dando asas à imaginação e abrindo as portas para infinitas possibilidades de pensar e criar a partir de elementos simples. Temas de base à construção do caráter, como a liberdade com respeito às regras e ao próximo, e os valores universais na condução dos destinos do ser humano através dos tempos são importantes na formação psicológica da criança.


- É possível abordar todo tipo de assunto quando se escreve para crianças e jovens? Como isso pode ser feito?
- Igual ao alimento que nutre o corpo físico, a informação nutre o espírito e da mesma forma é preciso parcimônia na abordagem de ambos. Não penso que todo tipo de assunto seja do interesse de todos muito menos que resulte igual para todos. O respeito e a adequação ao foco de interesse do leitor é a base na preparação do cardápio de ideias.


- Qual é o papel do imaginário na literatura infanto-juvenil?
- É o fio condutor que permite enxergar com olhos de vaga-lume o que ninguém vê. É falar a língua dos bichos, das plantas, da terra, dos ventos, das águas e dos deuses. É descrever com precisão lugares, pessoas e sentimentos que jamais se experimentou.


- Presentear a criança com um livro não é garantia que ela vá gostar de ler. Quais são as melhores maneiras de despertar o prazer pela leitura desde cedo?
- É reservar um momento do dia para ler para a criança e sempre que possível levá-la para participar de oficinas de leitura em livrarias e bibliotecas, ambientes muito importantes na formação de leitores e cidadãos críticos. Aprendemos com os exemplos que temos diante de nós.

- O que é melhor, o adulto sugerir os temas e as obras para a criança ou deixá-la escolher o que quer ler?
- O domínio próprio deve ser incentivado, mas penso que as duas formas são apropriadas desde que o adulto e a criança tenham um bom entendimento.


- Contar histórias é uma experiência que as crianças adoram. Como a contação pode contribuir para a criança gostar e se interessar pelos livros?
- A roda de leitura com as crianças, o autor do livro ou o contador de histórias é a forma preconizada como o modelo ideal de motivar a ler. Mas existem outras formas, igualmente eficazes, se movidas pelo desejo honesto de promover a criança. Um bom exemplo é a pequena Liesel que aprendeu a ler com seu pai, de pouca instrução, por meio de um livro que encontrou no cemitério: “Manual do Coveiro” [“A menina que roubava livros”, de Markus Zusak]


- Como surgiu a ideia de lançar os seus livros também em Braille?
- Ao buscar resposta para uma pergunta que fiz a mim mesma, quando escrevi “Um par de asas para Toby” (2003), descobri o imenso abismo que separa o cego do mundo dos livros e das letras. Perguntei-me: “Como uma criança cega lerá este livro?” A resposta: “pelo sistema braille”. Eu só não sabia que poucos detém a solução para as necessidades de leitura de muitos e que as portas não seriam abertas com facilidade para mim (como não são também para os leitores cegos), por mais honesto que fosse o meu desejo de fazer um livro acessível a todos.


- Como foi o processo de realizar este trabalho? Quais as principais dificuldades enfrentadas?
- A falta de apoio decorrente do desinteresse por esse tipo de trabalho. O Instituto de Cegos Padre Chico, escola especializada na educação de cegos pelo sistema braille, por meio de um de seus beneméritos, foi a porta aberta para mim graças ao radialista José Paulo de Andrade (Rádio BAND) que noticiou a minha dificuldade na busca de apoio. A primeira transcrição e impressão braille dos meus livros foi realizada no instituto. Agora acabo de lançar a segunda edição em braille e tinta ampliada, em conformidade com o padrão ABNT, pela Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual Laramara, graças, em parte, ao apoio recebido de uma empresa onde trabalhei. A Laramara, por meio da sua presidente, Mara Siaulys, também inscreveu os três primeiros livros da coleção Toby no “V Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil”. Para mostrar que no caminho de uma autora existem pedras mas também há flores, além da orientação de Aziz Ab’Sáber em “Uma Aventura na Amazônia – Raycha”, acabei de ser convidada para colocar Toby em “Embarque na Leitura”, nas bibliotecas do Metrô de São Paulo, uma realização do Instituto Brasil Leitor. Também na música de Zé Paulo Medeiros, “Canção para Toby”, o protagonista das minhas histórias será lembrado pelas crianças.


Gisele Pecchio
Coleção Toby - em tinta, braille+tinta ampliada e audiolivro
. “Um par de asas para Toby” (2003)
. “Toby e os Mistérios da Floresta” (2004)
. “Uma Aventura na Amazônia – Raycha” (2008)
À venda nas lojas das livrarias Cultura http://www.livrariacultura.com.br/ e da Vila www.livrariadavila.com.br

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