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16/10/2012

QUANDO O NEGÓCIO É SAÚDE

APRENDA A SE VIRAR SOZINHO. Ainda mais se você for um paciente que de uma hora para outra virou "plégico", "tetra", "pq", "spp", "renal" e outros codinomes ouvidos nos corredores dos hospitais e ambulatórios. Mas se o paciente estiver na clínica particular, o mesmo profissional o chamará pelo nome.
Mais um episódio da minha outra vida, desta vez como deficiente física portadora de doença crônica.
Findo mais um tratamento contra infecção do trato urinário.
Os sintomas iniciaram em 4 de setembro, quando passei por uma urodinâmica e relatei ao profissional urologista como me sentia. Exame algum foi solicitado.
No dia seguinte passei por um ginecologista e relatei os sintomas. Ele me examinou, coletou material para exame do colo do útero e solicitou uma série de exames, menos um simples exame de urina. O retorno, pasme, somente em dezembro.
Ao longo do mês de setembro, relatei ao convênio as minhas queixas sobre como me sentia. Não tenho mais a sensibilidade de antes. A dor e o ardor são imprecisos. Por fim, como algumas pessoas que me atendem na saúde dizem que a dor é proveniente da minha cabeça e ainda levam o dedo indicador à testa quando me dizem isto, pedi guia para exame de urina para uma psiquiatra. Ela, delicadamente, me atendeu não sem antes se colocar no meu lugar para tentar imaginar como eu me sentia.
Guia na mão, coleta feita e entregue ao laboratório. Resultado: crescimento das pseudomonas sp, bactérias comuns no meio hospitalar, muito resistentes e que habitam em mim desde que fui submetida a várias cirurgias e, infelizmente, ganhei úlceras de pressão e entrei em grave quadro infeccioso que me custou parte da cabeça do fêmur direito e uma osteomielite.
O que eu faria agora com o antibiograma em mãos? Solicitar a conduta médica. Depois de algumas tratativas veio, enfim, a conduta médica e o tratamento. Exatamente um mês após terem iniciado os sintomas. Quem já teve sabe como são insuportáveis as dores.
A saúde está doente. O paciente é tratado como cliente e é visto em partes. O médico, por sua vez, é segmento da mesma engrenagem deste negócio. Alguns estudaram nas melhores escolas públicas e poderiam devolver ao contribuiente um atendimento exemplar. Porém, segmentado e desfigurado, cansado da hipocrisia e, às vezes, distante do seu juramento ainda repete a melancólica frase: "manda quem pode e obedece quem tem juízo". Juízo?

O Abandono de Hipócrates. Foto: Kalila Pinto
Link para a foto:
http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&frm=1&source=web&cd=1&cad=rja&sqi=2&ved=0CCIQFjAA&url=http%3A%2F%2Folhares.uol.com.br%2Fo-abandono-de-hipocrates-foto500249.html&ei=5Zl9UNLRE5DQ9ATfq4DgDA&usg=AFQjCNE2LpHSmE22YuHtmu6ewul0Yo0Dww


 

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