Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

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21/04/2012

Gisele Pecchio escreve para Mara

Mara,
Boa tarde!

Desde o nosso último contato não mais retornei na AACD-Osasco.

Não faço terapias, somente passo por avaliações de enfermagem por causa das feridas e, para piorar, Osasco só tem dois carros adaptados para cadeirantes e não foi possível me atender na última consulta.

Tenho falado com a Cida (Cadê Você), sobre minhas aflições e o desejo de sair desta situação que, em parte, me imobiliza. Sinto que preciso ficar em casa e tenho lutado muito para aqui ficar e conseguir me reabilitar. Tenho uma mãe de 91 anos que é lúcida, trabalhadora e fazedora como eu fui até me acidentar em março de 2010. Lutei para vencer a morte, a solidão e a inércia no hospital onde fiquei oito meses internada. Tudo para estar aqui em casa, onde consigo manter as contas pagas, a organização de cada dia de sobrevivência minha, da mamãe e do poodle Toby, resgatado do abandono por mim e que aqui nos retribui com sua total lealdade e alegria de estar compartilhando as dores, as alegrias, as vitórias, as noites bem ou mal dormidas, os dias cheios de problemas para serem vencidos, sem as condições de antes do acidente.

O Brasil precisa investir em Gente pra cuidar de Gente. Vivo aos sobressaltos, ansiosa, tensa porque não consigo mão-de-obra comprometida para cuidar de mim, das transferências, dos suores intensos que os médicos não explicam a causa. Pago sempre direitinho, ajudo muito, ensino a cuidar de mim mas...

Não saio de casa porque sinto dores na coluna, nas feridas e na cabeça, especialmente quando tenho espasmos e meus nervos se contraem involuntariamente. Não perco uma consulta médica e com a psicóloga do convênio, mesmo que custe vômitos e dores no transporte de ambulância. Sei que é a ansiedade de não errar, de fazer bem feito, de estar sempre tendo que ensinar as pessoas como cuidar de mim. Sei que é por amor a quem me ama e a quem amo, incondicionalmente, e cuja vida depende da minha presença nesta casa.

Escrevi, escrevi, escrevi para desabafar e tentar encontrar um rumo certo. Agora, mais do que nunca, não posso errar. Preciso de gente para cuidar de mim. Preciso ter a chance de viver com uma certa independência. Conseguir sair da cama e da cadeira sozinha e por fim às úlceras e a dor física e psíquica já que por obra e graças à bondade de Deus tenho conseguido manter um certo equilíbrio e paz espiritual graças a anjos como mamãe e a tantos anjos que têm passado por aqui e tentado dar o seu melhor, mesmo que o combinado é que amanhã não é certo se terei alguém aqui para me auxiliar a sair da cama.

Precisamos do conforto de objetos ortopédicos para minimizar a dor do corpo. Precisamos, ainda mais, de Gente pra cuidar da Gente. Como organizar isto, meu Deus? Como poderemos avançar ainda mais? Nenhuma tecnologia substitui o ser humano no caminho da superação da dor e para se evitar o que mais preconiza a lei: institucionalização, Não!

Um comentário:

  1. Osasco possui 4 veículos adaptados,dois de cada uma das duas concessionárias de transporte urbano que servem aos habitantes do município com deficiência física na ida às consultas médicas em clínicas e entidades que trabalham com reabilitação.

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Agradeço pela sua presença. Abraço meu, Gisele