Toby Collection, pioneer in accessible for children gisele.jorn@uol.com.br

Loading...

05/07/2009

Gisele Pecchio

A escritora e seus pequenos potenciais leitores invisíveis

Onde há o protagonista existe sempre o antagonista. É assim nas histórias, foi assim no lançamento em braille e tinta ampliada dos dois primeiros livros da coleção Toby, iniciada por mim em 2003. Se a falta de recursos fundamentais foi o antagonista, no lançamento havia o calor humano dos presentes, em especial das crianças que deram um show de participação nas atividades realizadas no último dia 4, na livraria.

Lá na livraria faltou microfone e som para o audiovisual preparado pela autora, -fato incompreensível na era multimídia, dentro de estabelecimento que realiza extensa programação cultural com escritores para alavancar vendas -, mas sobrou alegria e vontade de estar ali por parte dos pequenos.

A Gabi, 2 anos, coloriu vários desenhos e foi embora chorando porque queria ficar mais. Eu também chorei, no caminho de casa, porque estava tão preocupada em fazer bem a minha parte, e superar a falta de alguns recursos, que esqueci de tirar fotos com a Gabi, a Sofia, a Tereza e seu irmão, o Pedro, a Laura, o Felipe, a Lorena, a Ivana, a Cristiane...

Que pena. Resta a esperança de que nos encontraremos numa próxima e, quem sabe, faremos muitas fotos, cantaremos juntos a "Canção para Toby", de Zé Paulo Medeiros, e ouviremos as histórias dos audiolivros. Talvez a Gabi não esteja mais entre as crianças mas outra menina cheia de vontade de aprender e participar estará numa das minhas oficinas e me fará lembrar dela, em algum lugar do mapa.

Como esquecer a Gabi em sua roupinha cor-de-rosa, alegre por conhecer as historinhas do Toby e ainda poder desenhar o cãozinho na folha de papel? Diferente das outras crianças, que preferiram colorir os desenhos a traço das ilustrações dos meus livros, criadas pelo artista José Carlos Mecchi, a pequena Gabi fez questão de encarar a folha de papel em branco. Poucos teriam a coragem da Gabi para encarar a folha de papel em branco. Ela encarou e fez a carinha do Toby, o sol, a lua e as estrelas.

Grande Gabi. Pequena na altura para ser visualizada e aplaudida pelos adultos presentes. A mesa de autógrafos reservada para mim deu estatura à pequena desenhista. Sorrindo, ela exibiu o desenho e com uma das mãozinhas cerradas bateu no peito duas vezes sinalizando ter sido dela a autoria e o mérito do trabalho.

Enquanto os pequenos coloriam, depois de ouvirem a leitura feita por mim de trecho do livro "Um par de asas para Toby", título escolhido pelas crianças para que eu lêsse, já que ficamos sem som para ouvir o audiolivro, o Renato José (Revisão Braille da Laramara) explicou a missão da instituição onde trabalha. A Laramara é o nome da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, minha parceira neste lançamento em braille e tinta ampliada, por meio do setor de tecnologia assistiva da entidade presidida pela Profa. Mara Siaulys.

A propósito, lá na livraria também sobraram desenhos pontilhados em relevo. Preparei esses desenhos eu mesma, perfurando um a um para que as crianças cegas pudessem participar da oficina de desenho em igualdade de condição. Teria sido aquela a primeira vez que eu faria em livraria uma oficina com crianças cegas. Elas faltaram.

Onde estão as crianças cegas? Recolhidas em suas casas ou nas instituições?
Muito provável não estarem habituadas a frequentar livrarias porque seus pais sabem que não encontrarão livros em formato acessível. Uma pena a informação demorar tanto para chegar para quem precisa dela. Me esforcei muito para que a informação chegasse mas penso que não foi suficiente o meu esforço. Elaborei tudo com o maior carinho para que enfim as crianças com necessidades diferentes ocupassem mais esse espaço de convivência tão importante: a livraria. Livraria que deveria ser de todos e para todos. Todos os escritores. Todos os leitores.

Uma pena a invisibilidade de certos escritores e seus pequenos leitores potenciais. Ao contrário do ser humano, o livro espera e não envelhece. Sempre haverão crianças, escritores e livros. Mas como será a qualidade de vida de um adulto subtraído do direito fundamental à leitura, aprendizado e convivência social na infância?

Gisele Pecchio é autora da Coleção Toby - livros acessíveis,
www.gpecchio.blogspot.com

Um comentário:

  1. Olá Gisele, encontrei seu blog em mecanismo de busca (google), e gostei bastante, espero que não se incomode em acompanhá-la; em tempo; parabéns pelo seu trabalho.

    Abraços
    Marco

    ResponderExcluir

Agradeço pela sua presença. Abraço meu, Gisele