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03/10/2007

Volto a esta polêmica no blog porque tanto a VEJA quanto o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, de novo, limitaram-se a ignorar minhas correspondências, sem lhes dar a atenção de uma resposta. Pela segunda vez em menos de seis meses, Roberto Pompeu de Toledo abordou a Inconfidência Mineira na VEJA ( “Sobras da história”, na revista de 26/09/2007) .Chama a atenção, de novo, que um jornalista experiente se baseie em uma só fonte. Desta vez, em uma de que eu, pesquisador do assunto há quase trinta anos, nunca tinha ouvido falar.
A falta de pesquisa induz a erros, como o de que a ligação de Cláudio com Francisca (na verdade, a "Eulina", assim como Maria Dorotéia é identificada com “Marília”) tenha sido fortuita como o articulista insinua, sequer comparável com a de Thomas Jefferson. Bem ao contrário, foi uma união estável, que durou muitos anos, reconhecida pela sociedade de Vila Rica.
Tivesse lido mais e melhor, preocupando-se em levar informações atuais e não notícias velhas e erradas a seus leitores, como convém aos de nossa profissão, o jornalista jamais repetiria a sério a falsa e velha dúvida sobre a morte de Cláudio. Afinal, há cerca de dez anos, a "suspeita" do assassinato foi amplamente confirmada, com a descoberta da identidade do legista "Paracatu", por estudiosos de São Paulo e Minas Gerais. Desde então, foi publicada em pelo menos seis diferentes veículos...
Aliás, não seria o fato de que Cláudio (como Tiradentes ou Herzog) foi morto por responsabilidade do governo, o principal gerador jurídico para a eventual indenização aos descendentes, bem mais do que terem sido "esbulhados" ou "infamados" ?

Um comentário:

  1. "Através de grossas portas,
    sentem-se luzes acesas,
    - e há indagações minuciosas
    dentro das casas fronteiras:
    olhos colados aos vidros,
    mulheres e homens à espreita,
    caras disformes de insônia,
    vigiando as ações alheias.
    Pelas gretas das janelas,
    pelas frestas das esteiras,
    agudas setas atiram
    a inveja e a maledicência.
    Palavras conjeturadas
    oscilam no ar de surpresas,
    como peludas aranhas
    na gosma das teias densas,
    rápidas e envenenadas,
    engenhosas, sorrateiras.
    Atrás de portas fechadas,
    à luz de velas acesas,
    brilham fardas e casacas,
    junto com batinas pretas.
    E há finas mãos pensativas,
    entre galões, sedas, rendas,
    e há grossas mãos vigorosas,
    de unhas fortes, duras veias,
    e há mãos de púlpito e altares,
    de Evangelhos, cruzes, bênçãos.
    Uns são reinóis, uns, mazombos;
    e pensam de mil maneiras;
    mas citam Vergílio e Horácio,
    e refletem, e argumentam,
    falam de minas e impostos,
    de lavras e de fazendas,
    de ministros e rainhas
    e das colônias inglesas.
    Atrás de portas fechadas,
    à luz de velas acesas,
    uns sugerem, uns recusam,
    uns ouvem, uns aconselham.
    Se a derrama for lançada,
    há levante, com certeza.
    Corre-se por essas ruas?
    Corta-se alguma cabeça?
    Do cimo de alguma escada,
    profere-se alguma arenga?
    Que bandeira se desdobra?
    Com que figura ou legenda?
    Coisas da Maçonaria,
    do Paganismo ou da Igreja?
    A Santíssima Trindade?
    Um gênio a quebrar algemas?
    Atrás de portas fechadas,
    à luz de velas acesas,
    entre sigilo e espionagem,
    acontece a Inconfidência.
    E diz o Vigário ao Poeta:
    "Escreva-me aquela letra
    do versinho de Vergílio..."
    E dá-lhe o papel e a pena.
    E diz o Poeta ao Vigário,
    com dramática prudência:
    "Tenha meus dedos cortados
    antes que tal verso escrevam..."
    LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
    ouve-se em redor da mesa.
    E a bandeira já está viva,
    e sobe, na noite imensa.
    E os seus tristes inventores
    já são réus - pois se atreveram
    a falar em Liberdade
    (que ninguém sabe o que seja).

    Através de grossas portas,
    sentem-se luzes acesas,
    - e há indagações minuciosas
    dentro das casas fronteiras.
    "Que estão fazendo, tão tarde?
    Que escrevem, conversam, pensam?
    Mostram livros proibidos?
    Lêem notícias nas Gazetas?
    Terão recebido cartas
    de potências estrangeiras?"
    (Antiguidades de Nimes
    em Vila Rica suspensas!
    Cavalo de La Fayette
    saltando vastas fronteiras!
    Ó vitórias, festas, flores
    das lutas da Independência!
    Liberdade - essa palavra,
    que o sonho humano alimenta:
    que não há ninguém que explique,
    e ninguém que não entenda!)
    E a vizinhança não dorme:
    murmura, imagina, inventa.
    Não fica bandeira escrita,
    mas fica escrita a sentença".

    Com este lindo texto extraído do livro "Romanceiro da
    Inconfidência", Editora Letras e Artes - Rio de
    Janeiro, 1965, pág. 70, homenageamos a autora que, no
    dia 07-11-2001, estaria completando 100 anos de idade.

    Colaboração de Flavio (POA)

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Agradeço pela sua presença. Abraço meu, Gisele