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13/08/2007

O POETA TOMÁS GONZAGA

No sábado, 11 de agosto, além do aniversário da implantação dos cursos jurídicos no Brasil e do Dia do Advogado, transcorreu outra data importante para a nossa História: há 263 anos, em 1744, nascia no Porto, em Portugal, o poeta e jurista Tomás Antônio Gonzaga. Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, escreveu em 1773 o Tratado de Direito Natural. Trabalhou como juiz de fora na cidade portuguesa de Beja e foi depois nomeado ouvidor-geral de Vila Rica (atual Ouro Preto), cargo que exerceu por mais de seis anos. Em Vila Rica, escreveu uma sátira contra os desmandos de um governador, as Cartas Chilenas. Participou do grupo que planejava um levante contra a Coroa portuguesa, que resultaria na Independência do Brasil: movimento que ficaria conhecido como Inconfidência Mineira. Graças a sua sólida formação intelectual, foi encarregado, juntamente com o também poeta e jurista Cláudio Manuel da Costa, de redigir as leis da nova República que pretendiam implantar. Era noivo de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que imortalizou nos poemas de Marília de Dirceu. A uma semana do casamento, foi preso após a denúncia da Inconfidência. Depois de quase três anos de prisão, foi a julgamento, fazendo, de forma brilhante, a própria defesa, enquanto o advogado designado pela Santa Casa encarregou-se de todos os outros réus. Pórém, a sentença já estava decidida: foi condenado ao exílio na África. Em Moçambique acabou recuperando o antigo “status”, exercendo a função de provedor dos defuntos e ausentes. Casou-se com Juliana de Souza Mascarenhas, com quem teve a filha Ana. Fontes não oficiais registram que seus relacionamentos anteriores geraram pelo menos três outros filhos: um com Maria Emerenciana, em Beja; Dalva, com a escrava Djanira, em Vila Rica; e Antônio, fruto de seu romance com Marília, criado como filho de Anacleto Queiroga. Morreu em fevereiro de 1810, sendo seus restos mortais transladados para o Brasil, onde hoje estão, ao lado dos de Marília e de outros inconfidentes, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

Em sua homenagem, transcrevemos a Lira III, parte 2, de "Marília de Dirceu", escrita na prisão:

"Sucede, Marília bela,
À medonha noite o dia;
A estação chuvosa e fria
À quente seca estação.
Muda-se a sorte dos tempos;
Só a minha sorte não ?

Os troncos nas primaveras
Brotam em flores viçosos,
Nos invernos escabrosos
Largam as folhas no chão.
Muda-se a sorte dos troncos;
Só a minha sorte não ?

Aos brutos, Marília, cortam
Armadas redes os passos,
Rompem depois os seus laços,
Fogem da dura prisão.
Muda-se a sorte dos brutos;
Só a minha sorte não ?

Nenhum dos homens conserva
Alegre sempre o seu rosto;
Depois das penas vem gosto,
Depois do gosto aflição.
Muda-se a sorte dos homens;
Só a minha sorte não ?

Aos altos deuses moveram
Soberbos gigantes guerra:
No mais tempo o Céu, e a Terra
Lhes tributa adoração.
Muda-se a sorte dos deuses;
Só a minha sorte não ?

Há de, Marília, mudar-se
Do destino a inclemência;
Tenho por mim a inocência,
Tenho por mim a razão.
Muda-se a sorte de tudo;
Só a minha sorte não ?

O tempo, ó Bela, que gasta
Os troncos, pedras, e o cobre,
O véu rompe, com que encobre
À verdade a vil traição .
Muda-se a sorte de tudo;
Só a minha sorte não ?

Qual eu sou, verá o mundo;
Mais me dará do que eu tinha,
Tornarei a ver-te minha;
Que feliz consolação !
Não há de tudo mudar-se;
Só a minha sorte não.”

SERGIO AMARAL SILVA

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