24/08/2007

MANIFESTO


5 mil assinam manifesto pelo livro acessível


Um movimento nacional pela acessibilidade na leitura já atraiu cerca de 5.000 assinaturas em um manifesto circulado pela internet. Motivado pela existência de livros e materiais didáticos e pedagógicos impressos em tinta, inacessíveis para pessoas com deficiência visual ou com restrição de movimentos nos membros superiores, representa um protesto ao descumprimento do artigo 46 da lei nº 9610 de 1998, que permite a reprodução de obras em formatos acessíveis para pessoas com deficiência visual. A reivindicação principal é que as pessoas com deficiência possam encontrar sua leitura predileta nos mesmos lugares que todas as outras pessoas sem deficiência: nas livrarias, editoras, bibliotecas, escolas, universidades, etc.
Para o coordenador do movimento pelo livro acessível, Naziberto Lopes de Oliveira, conhecido como Beto, as editoras, os autores e distribuidores de livros não respeitam esse artigo porque a maioria das pessoas com deficiência não o conhecem .
Para ele, o movimento pelo livro acessível é fruto da indignação e da revolta de milhares de pessoas que se sentem excluídas e marginalizadas do acesso à leitura, informação e conhecimento. "São pessoas que não suportam mais essa inacessibilidade que lhes prejudica os estudos, o acesso ao mercado de trabalho, o crescimento e o desenvolvimento pessoal, intelectual e profissional, indivíduos que vivenciam a exclusão na pele, amigos e conhecidos de pessoas com deficiência que reconhecem que o movimento quer fazer a diferença e provocar uma transformação social", destaca.
Segundo Beto, o mercado editorial brasileiro alega ferir os "direitos autorais" se o livro for distribuído em formato digital, considerado como a base do desenho universal, pois há o risco da reprodução criminosa, ou seja, que possa ser pirateado pelas pessoas que dele necessitam. "Isso é um total absurdo, visto que se pegarmos como exemplo o mercado fonográfico, um dos mais pirateados que existe, os responsáveis resolveram combater a pirataria diversificando seus produtos, barateando os custos, oferecendo formas diferenciadas de acesso a música", ressalta, acrescentando que o mercado fonográfico cresce cada vez mais e essa política de flexibilização colaborou muito para isso, alcançando mais consumidores. "No caminho inverso, a indústria editorial se fecha, acreditando que assim vai combater a reprodução pirata, mas não é a versão digital que proporciona pirataria, isso já acontece há tempos", afirma.
Quando questionado sobre a importância do livro acessível para as pessoas com deficiência visual, Beto, é enfático. "A resposta é simples e respondo com uma outra pergunta: qual é a importância da leitura na vida de uma pessoa? Na minha opinião, é simplesmente fundamental. Isso vale para todos, pessoas com ou sem deficiência". Segundo ele, da mesma maneira que o livro convencional contribui para a inclusão de qualquer pessoa em um mundo repleto de competitividade, o livro acessível representa melhor educação, preparação, formação e desempenho na vida social e no trabalho. "O livro e a leitura são libertadores e ampliadores de pensamentos", destaca.
A expectativa é que o manifesto seja o precursor de uma abertura de mercado editorial e que o livro em formato acessível seja uma realidade para muito breve. O manifesto ficará à disposição de novas adesões até agosto de 2007, e, após, será entregue ao CONADE, Conselho Nacional de defesa das pessoas com deficiência, e aos coordenadores da Frente Parlamentar em Defesa das pessoas com Deficiência, do Congresso Nacional, para que conheça as dificuldades e reivindicações do movimento.
Para aderir, basta enviar nome completo e número de identidade pessoal (RG) ou CNPJ, para: livrouniversal@yahoo.com.br
fonte: Jornal da AME/edição agosto/07
ilustração: CD de áudio em Mp3 da Coleção Toby, pioneira em formato acessível (tinta, braile, Mp3 e web)

13/08/2007

O POETA TOMÁS GONZAGA

No sábado, 11 de agosto, além do aniversário da implantação dos cursos jurídicos no Brasil e do Dia do Advogado, transcorreu outra data importante para a nossa História: há 263 anos, em 1744, nascia no Porto, em Portugal, o poeta e jurista Tomás Antônio Gonzaga. Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, escreveu em 1773 o Tratado de Direito Natural. Trabalhou como juiz de fora na cidade portuguesa de Beja e foi depois nomeado ouvidor-geral de Vila Rica (atual Ouro Preto), cargo que exerceu por mais de seis anos. Em Vila Rica, escreveu uma sátira contra os desmandos de um governador, as Cartas Chilenas. Participou do grupo que planejava um levante contra a Coroa portuguesa, que resultaria na Independência do Brasil: movimento que ficaria conhecido como Inconfidência Mineira. Graças a sua sólida formação intelectual, foi encarregado, juntamente com o também poeta e jurista Cláudio Manuel da Costa, de redigir as leis da nova República que pretendiam implantar. Era noivo de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que imortalizou nos poemas de Marília de Dirceu. A uma semana do casamento, foi preso após a denúncia da Inconfidência. Depois de quase três anos de prisão, foi a julgamento, fazendo, de forma brilhante, a própria defesa, enquanto o advogado designado pela Santa Casa encarregou-se de todos os outros réus. Pórém, a sentença já estava decidida: foi condenado ao exílio na África. Em Moçambique acabou recuperando o antigo “status”, exercendo a função de provedor dos defuntos e ausentes. Casou-se com Juliana de Souza Mascarenhas, com quem teve a filha Ana. Fontes não oficiais registram que seus relacionamentos anteriores geraram pelo menos três outros filhos: um com Maria Emerenciana, em Beja; Dalva, com a escrava Djanira, em Vila Rica; e Antônio, fruto de seu romance com Marília, criado como filho de Anacleto Queiroga. Morreu em fevereiro de 1810, sendo seus restos mortais transladados para o Brasil, onde hoje estão, ao lado dos de Marília e de outros inconfidentes, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

Em sua homenagem, transcrevemos a Lira III, parte 2, de "Marília de Dirceu", escrita na prisão:

"Sucede, Marília bela,
À medonha noite o dia;
A estação chuvosa e fria
À quente seca estação.
Muda-se a sorte dos tempos;
Só a minha sorte não ?

Os troncos nas primaveras
Brotam em flores viçosos,
Nos invernos escabrosos
Largam as folhas no chão.
Muda-se a sorte dos troncos;
Só a minha sorte não ?

Aos brutos, Marília, cortam
Armadas redes os passos,
Rompem depois os seus laços,
Fogem da dura prisão.
Muda-se a sorte dos brutos;
Só a minha sorte não ?

Nenhum dos homens conserva
Alegre sempre o seu rosto;
Depois das penas vem gosto,
Depois do gosto aflição.
Muda-se a sorte dos homens;
Só a minha sorte não ?

Aos altos deuses moveram
Soberbos gigantes guerra:
No mais tempo o Céu, e a Terra
Lhes tributa adoração.
Muda-se a sorte dos deuses;
Só a minha sorte não ?

Há de, Marília, mudar-se
Do destino a inclemência;
Tenho por mim a inocência,
Tenho por mim a razão.
Muda-se a sorte de tudo;
Só a minha sorte não ?

O tempo, ó Bela, que gasta
Os troncos, pedras, e o cobre,
O véu rompe, com que encobre
À verdade a vil traição .
Muda-se a sorte de tudo;
Só a minha sorte não ?

Qual eu sou, verá o mundo;
Mais me dará do que eu tinha,
Tornarei a ver-te minha;
Que feliz consolação !
Não há de tudo mudar-se;
Só a minha sorte não.”

SERGIO AMARAL SILVA

23/07/2007

TIRADENTES

RESPEITO POR UM HERÓI BRASILEIRO

Sergio Amaral Silva *

Decepcionou-me sobremaneira o texto de Roberto Pompeu de Toledo "Joaquim José, um brasileiro", na revista VEJA datada de 25 de abril de 2007, que circulou no dia do 215º aniversário do assassinato do Mártir da Inconfidência. Toledo começa com a desrespeitosa dúvida se o herói era um "revolucionário consistente" ou um "bobo boquirroto" que pregava a República até às prostitutas. Reduzindo-se o episódio da fala às mulheres conhecidas como "Pilatas" a essa pequena dimensão, perde-se seu sentido maior, capaz de dirimir inclusive a suposta incerteza do articulista.
Cecília Meireles, nos versos do Romance XXXI de seu "Romanceiro da Inconfidência", contribui para esclarecer a questão: "Por aqui passava um homem/- e o povo todo se ria./"Liberdade, ainda que tarde"/ nos prometia." Ou seja, revolucionário consistente, responsável por angariar mais simpatizantes para o movimento sedicioso e o novo regime que ele instauraria, pregava ao povo todo, a quem se dispusessem a ouvi-lo, corajosamente, sem discriminar. Passa então a analisar as três razões do "triunfo póstumo" de Tiradentes. Logo na primeira, chama a atenção a associação de seu nome com o conceito de "herói para personificar os valores que o regime militar (de 1964) pretendia representar". Ainda que se deduza que a iniciativa foi exclusivamente dos militares, a simples menção merece ser corrigida, pela gravidade do que insinua. Pior porque associada mais uma vez à dubiedade de que "como não se sabe direito quem ele foi, virou figura fácil de ser puxada para este ou aquele lado". Para que o articulista usasse seu espaço privilegiado para informar corretamente o leitor e não confundi-lo com essa pretensa neutralidade, seria preciso explicitar: "Sabe-se que Tiradentes foi um brasileiro definitivamente comprometido com a Liberdade de sua Pátria e nem sua ideologia nem sua prática política tinham qualquer semelhança com as do regime autoritário implantado em 1964. Apesar disso, aquele regime tentou se apropriar de parte do prestígio popular do alferes, convertendo-o em Patrono Cívico da Nação Brasileira". Discorrendo sobre a segunda razão, de natureza geográfica, já quase na metade do texto, o articulista revela enfim sua fonte, na qual o trabalho foi, em suas próprias palavras, "fortemente baseado". Embora Toledo não mencione essa data, trata-se de livro de um historiador, publicado há dezessete anos. Uma questão, portanto, se impõe: onde estaria a originalidade dessa resenha tão tardia ? As tentativas de ''enquadrar" o Tiradentes através de comparações com modelos existentes, ainda que inadequadas,se sucedem: Frei Caneca, Bento Gonçalves, Antônio Conselheiro, Padre Cícero. Porém, Toledo desperdiçou a oportunidade e não disse o essencial sobre o alferes: Que os inconfidentes tinham combinado que, caso fossem presos, negariam tudo. Seguiram essa estratégia, inclusive Tiradentes, em seus quatro primeiros interrogatórios. Joaquim José, porém, percebeu que, atuando como propagandista das idéias de liberdade, se expusera muito. Principalmente num processo em que não havia acusações documentais, mas só testemunhos verbais, para ele a condenação seria inevitável. E para o crime de lesa-majestade como a inconfidência, só existia uma pena: a de morte.Tomou então a decisão que o engrandeceria e tornaria imortal perante a História, fazendo dele o único brasileiro cuja data de morte é feriado nacional. E já no quinto interrogatório assumiu sozinho a culpa, na tentativa de convencer os juízes de que só ele conspirara, e assim, livrar os demais. Teria dito na ocasião a famosa frase: "Se dez vidas eu tivesse, todas elas eu daria." Essa é a verdadeira imagem do brasileiro Joaquim José da Silva Xavier, de quem disse seu confessor, o Frei Raimundo de Penaforte: "Se houvesse mais alguns como ele..." Infelizmente, não há. Por isso vivemos estes tempos escuros, em que a roubalheira dos dinheiros públicos, a total falta de solidariedade e respeito, de amor pelo Brasil, a covardia, campeiam. Roberto Pompeu de Toledo cometeu um erro gravissimo. Cunhando epítetos pretensamente irônicos (na verdade, acintosos) como "Macunaíma dos bordéis" ou "adepto falastrão", optou por reproduzir teses de 1990, já exaustivamente debatidas. Com isso, fez com que um importante veículo de nossa imprensa trocasse a possibilidade de divulgar valores tão escassos no Brasil de hoje por um texto, para dizer o mínimo, medíocre. Indiquem-me um brasileiro que tenha oferecido deliberadamente a própria vida para salvar a dos companheiros de ideais e que tenha com isso granjeado o amor de seu povo, e teremos outro candidato ao posto de herói supremo desta (pobre) nação.

(*) Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Ilustração: A leitura da sentença de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), de Eduardo Sá, em óleo sobre tela.

19/06/2007

QUADRILHA DE JUNHO

Por Gisele Pecchio Dias

Pula a fogueira Iaiá...
Pula a fogueira Ioió...
Cuidado para não se queimar...

Já foi o tempo em que falar em quadrilha, no mês de junho, era só brincar de Ioió e Iaiá, ao som da viola e da sanfona.
Lembro-me, com saudade, das festas de rua, das cadeiras na calçada, do cheiro bão de quentão e da pipoca na manteiga.
No céu, o colorido das bandeirolas e o brilho dos fogos de artifício.
No chão de terra vermelha, mãos inocentes arremessavam biribinhas, também conhecidas como estalos.
A chama da fogueira cozinhava o pinhão e iluminava a trilha aberta pelos pés de alpercatas.
O elenco da dança típica de junho era protagonizado por homem e mulher, na condição de noivos.
De quadrilha de junho eu entendo.
E como entendo...
E não poderia ser diferente.
Sou filha de pai nordestino, das Alagoas.
Nasci em plena noite de São João, tendo sido anunciado o meu nascimento por um balãozinho que caiu com a tocha acesa, no quintal de casa, dia 24 de junho, às 23 horas, exato instante em que vim ao mundo.
Não há filho nascido em terras nordestinas que não anseie passar férias na cidade natal, no mês de junho, em especial no vigésimo quarto dia, quando se festeja o Dia de São João, o ápice das comemorações juninas no nordeste brasileiro.
Mas, neste junho, falar de quadrilha não é só brincar de Ioió e Iaiá, ao som da viola e da sanfona.
Falar de quadrilha, em junho de 2007, é sentir cheiro de pizza, após ler e ouvir falar sobre um monte de notas frias de compra e venda de boi.
Era tanto boi que dava para fazer churrasco o mês de junho todo para alimentar a população das Alagoas, terra de papai e também dos Marechais.
Em julho, também haveria de ter carne de boi para alimentar o povo todo das Alagoas.
Boi pai d'égua.
Boi filho d'égua.
Boi arretado.
Boi danado esse boi.
Boiiii...
Daria para fazer um churrasco por dia, em agosto também.
E convidar os irmãos de Minas.
Êta trem bão sô!
Também a gurizada do Rio Grande.
Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau...
Jamais pensei que nas Alagoas de papai não somente abundava as mais variadas canas, centenas de tipos delas, para alimentar a sede do Brasil e dos usineiros.
Também tem boi em abundância por lá?
Ôxe...
Oh, xente!
Seo Renan é o maior pecuarista do Brasil.
Ele está contribuindo, também, para mudar o conceito das quadrilhas de junho.
E dos protagonistas das quadrilhas de junho, idem.
Homem e mulher não são só os noivinhos da alegre dança junina.
Homem e mulher tem mudado conceitos...
Depois de relaxar e gozar, cuidado para não se queimar.
Pula a fogueira Ioiô...
Pula a fogueira Iaiá...
Cuidado para não se queimar...

Foto: AP/Gisele Pecchio, com 7 anos, na festa junina do 2º Grupo Escolar de Osasco, atual Emef Prof. José Liberatti

14/06/2007

SERGIO AMARAL

"Tenho um monte de amigo e o cê, tia?", me perguntou a bela adolescente. "Meu orkut tá bombando", emendou orgulhosa diante da sua página na comunidade virtual orkut.
Sorri e lhe falei sobre companheiros de escola, trabalho e outras jornadas, mais conhecidos como colegas. Um colega pode chegar a ser amigo mas, ao longo de uma vida, poucos conseguem manter o seu lugar no pódio.
Colegas entram e saem das nossas vidas. Muitos desaparecem, nunca mais temos notícias deles.
Amigos entram em nossas vidas e ficam para sempre, mesmo que a vida nos afaste em diferentes e distantes caminhos. Mesmo sem notícias dos amigos, jamais os esquecemos. Estarão vivos em nossas lembranças, para sempre.
Felizes são os amigos que não se afastam, mesmo trilhando caminhos diferentes. Mesmo sem jamais se reencontrarem, além da lembrança e da boa palavra.
Feliz de mim que hoje recebi a boa palavra do querido poeta Sergio Amaral (ler post abaixo). Um colega de trabalho que virou amigo e me conquistou com a boa palavra, a elegância, os saberes.
Sergio me trouxe a lembrança de um tempo que já vai longe, quando trabalhei na gerência de Comunicação do Banco Francês e Brasileiro (hoje, Itaú Personnalité), com os inesquecíveis Lourival, Claudio Costa e Novaes. Deste trio, mantenho o contato com o amigo Claudio, até hoje. Nos falamos dia 11, quando liguei para cumprimentá-lo pelo aniversário. Uma das pessoas mais íntegras e leais que conheci. Tenho saudade do Novaes, que me confiava cheque em branco. Muito difícil alguém receber e dar crédito assim...
Eu cuidava da comunicação interna do banco e editava a revista Franjour, a menina dos olhos da nossa diretoria. Sergio era executivo da área de underwriting. Associado ao Crédit Lyonnais, o BFB mantinha a tradição francesa de incentivo à cultura e às artes. Por isso, foi muito fácil descobrir e revelar para todos o poeta e escritor Sergio Amaral, também crítico literário, lotado na área financeira do banco. Ele foi convidado e aceitou colaborar com a editoria de literatura da revista Franjour, chamada por nós de Estante. Um sucesso.
Trabalhar na Comunicação do BFB foi uma etapa muito importante da minha carreira. O ambiente social do banco era intenso e favorável ao desenvolvimento da amizade e do intercâmbio cultural entre Brasil e França. Cheguei a ser correspondente da Comunicação do Crédit Lyonnais na filial brasileira, enviando notícias do BFB e do Brasil para a revista irmã do Franjour, em Paris.
Sergio, que lembranças boas você me traz. Por isso, homenageio você e o BFB-Crédit Lyonnais publicando uma das capas da revista Franjour e a página da divulgação interna que fizemos para anunciar a sua estréia, na editoria de Literatura.
Merci, chéri ami Sergio.
Tu c'est bienvenue.
Bienvenue aussi dans Aimons des Livres Inclusifs.

SERGIO AMARAL é jornalista e economista pela USP. Poeta, contista e crítico de literatura brasileira dos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Ganhou vários prêmios literários, inclusive no Exterior. Autor do livro "Vida felina" (1982), merecedor de elogios de Pedro Nava, Nélida Piñon, Josué Montello e Artur da Távola. Participou de "Contos Premiados", livro editado em Portugal, com o conto "Passagens". Recebeu do poeta Carlos Drummond de Andrade o seguinte bilhete, em 1977, pela sua participação na coletânea Cara a Cara: "Li e senti uma consciência humana e atenta à realidade social de hoje. Isto é bom. Gosto de poetas inconformados e que levam esta inquietação para a sua poesia".









UM DEPOIMENTO SUSPEITO SOBRE ELA

Conheço a Gisele há vários anos e sei que além de ótima jornalista e grande amiga, ela é uma batalhadora incansável pelas causas em que acredita. Assim tem sido nos últimos tempos com seus livros da coleção Toby, que ela, inteligentemente e com sua aguda sensibilidade, colocou a serviço de uma causa maior, pela igualdade de oportunidades e contra todo preconceito. Afinal, Gi, ser diferente é normal ! Beijo grande e sucesso !

12/06/2007

Gisele Pecchio faz palestra em Guaratinguetá




LITERATURA INFANTIL E INCLUSÃO - Quem é Toby? A Coleção Toby foi apresentada para 400 crianças do ensino fundamental de Guaratinguetá (SP), por meio de palestra de Gisele Pecchio, autora dos livros que têm como protagonista o cachorrinho Toby. Uma promoção da Secretaria Municipal de Educação, com o apoio do Serviço de Água e Esgoto (SAAEG), cuja direção tem incentivado iniciativas voltadas à inclusão social de crianças e adultos, sob orientação da pedagoga Marta Nascimento, doutoranda em educação ambiental.
Vinte e dois cegos, entre adultos e crianças, muito alegres, chamaram a atenção da palestrante quando disseram ser aquela a primeira participação deles num evento literário. O entusiasmo dos deficientes visuais aumentou quando foram informados que a Secretaria de Educação de Guaratinguetá e o SAAEG haviam adquirido exempalres dos livros de Gisele Pecchio em tinta, braile e CD para ficar à disposição dos leitores das bibliotecas e das escolas do município.
A autora também realizou oficina de leitura para filhos de funcionários da Unesp, campus Guará, no auditório da biblioteca central da universidade, com a presença de 36 alunos da pré-escola e professores.
As imagens de Paulo Miranda são da reportagem de Glauber Arneiro, cedidas pela tevê local à pesquisadora Marta Nascimento, responsável pela coordenação das palestras e visitas de Gisele Pecchio na cidade de Guaratinguetá.

11/06/2007

REVISTA EXAME

Por Adriano Silva

“... Paulo Francis dizia que política é coisa de gentinha. Ele tinha razão. De alguma forma, o sistema democrático não é eficiente em colocar no poder os melhores entre nós. Num bando de chimpanzés, o macho mais apto assume a posição dominante. Num time de futebol, a camisa 10 costuma ir para o melhor jogador. E assim por diante. Só na política isso não acontece. No sistema de candidaturas e de votos, por algum motivo essa regra universal de ensejo aos melhores é transfigurada no seu reverso. E assim os eleitos para gerir os interesses da comunidade acabam sendo de modo geral os mediadores, os medíocres, quando não simplesmente aquilo que produzimos de pior — os bandidos que se locupletam, os incompetentes que não deram certo noutro lugar, os delinqüentes patológicos, etc. Os melhores entre nós despontam nas artes, na iniciativa privada, nas profissões liberais, nos esportes. Mesmo os melhores políticos não estão na política: estão escrevendo teses, negociando fusões, ministrando aulas, seguindo carreiras diplomáticas ou acadêmicas. É como se os processos eletivos, por mais justos, necessários e inevitáveis que sejam, promovessem uma espécie de seleção natural ao contrário — a sociedade separa o joio do trigo e fica com o joio.
É preciso dizer que isso não acontece somente no Brasil. Repare que o presidente dos Estados Unidos não se chama Jack Welch nem Steve Jobs. Alfred P. Sloan e Roberto Goizueta também passaram longe do governo daquele país em suas épocas. E estamos falando de quatro dos maiores administradores que já andaram sobre este planeta. Os presidentes americanos, ao contrário, são e têm sido no mais das vezes sujeitos obscuros: péssimos estudantes, filhos ineptos, maus maridos, gente que não sobreviveria uma semana numa empresa de ponta ou num ambiente acadêmico de alto nível. É de assustar que, mais tarde, eleitos, eles venham a influenciar, com suas canetadas, a vida daquelas mesmas empresas e instituições de ensino de alta performance em que nem sequer teriam condições de atuar.
Talvez seja isso que a turma chama por aí de crise de representatividade. Quase sempre, ao se eleger alguém para síndico, não é o condômino mais preparado, o sujeito mais bem-sucedido do prédio, que vai para a cadeira (Este, na verdade, nem aparece nas reuniões. Porque imagina que tem mais o que fazer do que resolver problemas coletivos, do que trabalhar para os outros. Os melhores costumam focar em si próprios). Da mesma forma, os alunos mais brilhantes não freqüentam o diretório acadêmico. Estão ocupados demais competindo pelas melhores posições na turma. Idem para os órgãos de classe, que em tese representam uma categoria mas dificilmente conseguem atrair os melhores talentos para a importante posição de falar por todos os outros. Rubem Braga e Nelson Rodrigues, por exemplo, dois dos maiores talentos que já passaram pela imprensa brasileira, nunca estiveram à frente do sindicato dos jornalistas. É provável que também julgassem que tinham mais o que fazer.
Não sei bem por que é assim. Mas é assim. Os melhores entre nós escapam aos mecanismos de escolha de representantes em ambientes democráticos. Talvez no centro desse paradoxo esteja o fato de que os melhores não se candidatam, quase nunca se oferecem para consertar com as próprias mãos o que vêm de errado em sua comunidade. Não têm paciência para isso. Não têm interesse em socializar suas competências. E o quinhão de poder que a representação oferece não consegue dissuadi-los dessa posição refratária. As cadeiras no governo, no corpo legislativo, na máquina do Estado acabam sobrando, em decorrência disso, para os menos capacitados. Ou para os mais mal-intencionados. Talvez esse desinteresse que os melhores nutrem pela carreira pública seja um fator essencial para entender a tal crise de representatividade...” Trecho do artigo publicado na revista Exame, em 3 de abril de 2002, assinado pelo jornalista Adriano Silva.
Nesse artigo, o autor nos convida a refletir sobre o perigo de brincar com fogo. E mais, para o perigo de estarmos todos nos enganando. Eleição serve para alguma coisa? Democracia é de fato o pior dos regimes, excetuando os demais?

PAULO FRANCIS (1930-1997) foi correspondente da Folha de S. Paulo nos EUA. É autor de livros de ensaios políticos e culturais como Opinião Pessoal, Certezas da Dúvida, Paulo Francis Nu e Cru e Nixon contra McGovern: as duas Américas. Cabeça de Papel é o seu primeiro romance.

29/05/2007

AADVAT/TV GLOBO

Palestra seguida de oficina de leitura para crianças na sede da Associação de Assistência ao Deficiente Visual do Alto Tietê (AADVAT).


Entrevista à jornalista Karina Pachiega, com imagens de Adriano Santa Terra (TV Globo, Mogi das Cruzes-SP).
Assista trecho da reportagem de 6 minutos em Google, no link:
http://video.google.com/videoplay?docid=7354698789639687189

21/05/2007

Toby e Gikovate


Blog da Gisele Pecchio indica vídeo [link abaixo] e reflexão sobre o tema em casa e na escola.


Dieta para emagrecer engorda
Recebi do amigo Paulo Fontão, que é médico e indicou este vídeo.
Gostei muito da palestra. Em especial quando o psicoterapeuta Flávio Gikovate [foto] diz que "a sociedade está enlouquecida. Andamos de carro para todos os lados e depois ficamos suando na esteira para emagrecer. Há fartura de alimentos como jamais se viu em tempo algum na história da humanidade e se cultua a magreza. Na época da escassez de alimentos se fazia o contrário, cultuando a gordura, o excesso".
Como conciliar fartura com magreza?
Parece se tratar de uma questão de foco.
De que lado queremos ficar? Do lado da saúde ou da doença?
O exemplo serve para muitos outros comportamentos humanos adquiridos, tais como fumar, ingerir álcool e drogas, fazer uso do corpo e da mente de forma a comprometer o domínio próprio.
Gikovate nos conduz a pensar sobre a importância das nossas escolhas. Nunca é tarde para corrigir rumos e usar o livre arbítrio. Sempre haverão crianças e adolescentes necessitando de bons exemplos para jamais terem dúvidas na hora de fazer escolhas.
Toby e Gikovate
Mas, afinal, o que estaria fazendo o cão Toby neste post?
Foi visitar o famoso psicoterapeuta?
Será que Toby faz dieta para emagrecer?
Humm...
Oh, oh!
Nada disso, ele é a minha inspiração para falar de bons exemplos às crianças, de todas as idades. Ninguém melhor do que o protagonista das minhas estórias para recomendar hábitos de vida saudáveis.
Por quê?
Porque Toby corre na praia todos os dias, com seus amigos pássaros da esquadrilha da fumaça. Os maus hábitos comportamentais dele são todos causados pelo ser humano, como o péssimo costume de oferecer aos cães sorvetes, doces e outros alimentos que não fazem parte da dieta animal [ler em Um par de asas para Toby].
Se Toby não fosse um corredor, praticante diário da atividade física, ficaria fora de peso como o amigo Bolão, que ganhou esse apelido por causa do sobrepeso.
Há seres humanos que são impiedosos na hora de colocar apelidos. Ainda bem que o amigo de Toby é um cão e não entende da maldade de certas pessoas. Ainda lhes abana o rabo ao ser chamado de Bolão...
O mesmo não ocorre com o ser humano, em especial crianças. Algumas adoecem e ficam traumatizadas para sempre por causa dos apelidos. Por isso, é bom incentivar o amor e o respeito entre os seres humanos, desde a mais tenra idade.
Tarefa
1) Vamos corrigir o mau exemplo de dar alimento humano aos animais? Comece pelo seu cãozinho.
2) Vamos corrigir o mau exemplo de apelidar as pessoas, se isso as entristece? Comece na sua escola, chamando os colegas pelo nome. Tá falado?
Pensamento
Acredito ser a verdadeira dieta, escolher palavras e ações colhidas na fonte dos mais nobres pensamentos e sentimentos que habitam a própria consciência. Um lugar onde grande parte da humanidade jamais encontra porque procura longe de si. Gisele Pecchio, 21/1/07

Link para assistir a palestra de Gikovate no Café Filosófico da TV Cultura: