13/06/2012

Carlos Drummond de Andrade para crianças

"Que vai ser quando crescer? vivem perguntando em redor.
Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? (...)"

Verbo ser - Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

A editora Cia. das Letras está reeditando a obra de um dos maiores poetas brasileiros, que estreou na literatura em 1930 com "Alguma poesia". Ao longo de sua vida, o poeta de Itabira (MG) publicou mais de 30 livros, alguns deles para crianças. Em "Menino Drummond", a Cia. das Letrinhas oferece ao público infantil este primoroso encontro com a obra de Drummond. Lançamento previsto para o próximo dia 19 de junho.

03/06/2012

Ao pó voltarei e não à água

 "...Antes do acidente, alegria para mim era poder desfrutar das coisas simples da vida, cuidar da família, da casa, trabalhar e ver o sorriso no rostinho dos meus pequeninos leitores numa sessão de leitura e desenho para colorir. Hoje, há dois anos e meio sem sair de casa, alegria para mim são as mesmas coisas de antes e o imenso desejo de viver sem dor física, sem umidade no corpo, sem sonda, calçada e vestida adequadamente para sair de casa. Quem pode me ajudar nesta readaptação à vida?"
Estou inscrita na rede Lucy Montoro, sob nº IRLM 2156, em 10/2/11 e na AACD sob nº 135939. Enquanto meu corpo atrofia, continuo rezando, suando, pagando em dia meus impostos, plano de saúde, fazendo o que posso e esperando a minha vez... E que seja breve, antes que eu vire uma poça d'água.

Antonio Sproesser é Médico da Família

Assista a entrevista que ele deu ao Edu Guedes (Record News) clicando neste link ou copiando

http://noticias.r7.com/record-news/videos/116-receita-pra-dois/edu-guedes-recebe-o-dr-antonio-sproesser-no-receita-pra-dois/4fcada346b717935e0a74722/

O médico Antonio Sproesser é um exemplo a ser seguido por todos os jovens acadêmicos, em qualquer área do conhecimento. Ele trabalha no Hospital Albert Einstein. Encantou-me ao afirmar que se formou médico pela USP e após passar pela R1, R2 e R3 disse para si: "não sei nada". Queria trabalhar em pronto-socorro e UTI, onde a conduta precisa ser rápida e precisa. Trabalhou no PS e na UTI do Hospital das Clínicas e continuou dizendo para si: "não sei nada".
Foi para os EUA e lutou muito para ser aceito num hospital de Miami. Queria lidar com traumas. Na primeira tentativa não foi aceito. Trabalhou na Califórnia, onde dirigiu hospital, Pittisburg, até conseguir trabalhar em Miami.
"Nos EUA o médico não pode errar. O erro lá não é escondido, dá processo e perda do registro profissional".
Dos EUA foi para a Europa, onde continuou trabalhando como um eterno aprendiz na Itália e Alemanha. Voltou para o Brasil e abraçou com AMOR o que menos se valoriza por aqui: a MEDICINA DA FAMÍLIA. Assista, reflita e divulgue. Não podemos mudar o que fizerem com parte dos nossos médicos e gestores da Saúde, mas podemos contribuir para formar eternos aprendizes. GENTE para CUIDAR da GENTE.

30/04/2012

Escritor tetraplégico dá exemplo de superação

Olá! Querida Gisele,

Confesso que responder seu e-mail está sendo pra mim um grande privilégio, além de uma grande responsabilidade, pois as palavras contidas no contexto são de infinita riqueza, conhecimento, sabedoria e amor. Logo após fazer minha auto-reflexão sobre o que me escreveu não contive a curiosidade, entrei no seu blog e assisti com a Susy quase todos os vídeos disponíveis no Youtube. Sua história é apaixonante; sua iniciativa com os livros e a preocupação com a inclusão e, acima de tudo, com o ser humano é digna de louvor e admiração. Parabéns!
Quero que saiba e assuma uma coisa na sua vida: você já é uma vencedora, mesmo ainda combatendo os percalços que hoje fazem parte da sua nova realidade física. Gosto de dizer que Deus permite que o acidental aconteça na vida, no entanto temos que crer que Ele muda o final, pois somos Dele e o amor e misericórdia divina nos alcançam.
Desculpe o atrevimento, mas pelo pouco que a conheço posso assumir o que escrevo; você fez, faz e ainda tem muito a fazer; Deus a dotou com dons raríssimos. Mesmo com todas as limitações físicas, indiferenças humanas, com os olhares e preconceito, nós, “pessoas especiais”, precisamos fundamentar e canalizar as nossas forças no Altíssimo, só assim alcançaremos a motivação para viver o dia-a-dia.
Esse ano comemoro oito anos de acidente e quando penso que já aprendi tudo sobre quatro rodas, sou surpreendido pelo novo, por sua história, por alguém que assume a verdade concreta do sobrenatural: anjos existem.
Minha querida, muito obrigado pelas palavras, espero em futuro próximo poder conhecê-la; desejo a você e sua mãezinha tudo de bom, que o Senhor derrame sobre as vossas vidas chuva de bênçãos e que o Espírito Santo fortaleça e reavive todo o seu ser. Continue firme e perseverante, precisamos de você, conte comigo e minha família.
Vou te enviar meu segundo livro: Palavras Gestadas no Coração, espero que goste.

“Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração ele atenderá. Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá”. (Salmo 36,4-5)
Cordial abraço, fique com Deus;

Juninho

Erival Marques Júnior: um exemplo de superação

RESTITUI - Uma nova identidade
ISBN 978-85-98627-75-5
Autor: Erival Marques Jr.*
Editora: Livro Pronto
livropronto@livropronto.com.br

"Restitui traz aos leitores a importância dos verdadeiros amigos e da perseverança em alcançar nossos objetivos, mesmo quando tudo parece não ter esperança aos nossos olhos. Lembrando sempre que o que parece impossível ao homem é possível a Deus".

Caro Erival,
Li seu livro assim que o recebi, postado pela minha querida tia Profa. Neyde Pecchio.
Li de uma só vez e me encantei pelo seu entusiasmo e amor pela vida a despeito de todas as adversidades e intenso sofrimento e dor.
Sei o quanto sofreu porque ainda sofro. Fiquei oito meses hospitalizada, passei aniversário e Natal sozinha num leito de enfermaria. A única visita era da minha mãe.
Sofri politrauma depois de uma queda do telhado de casa, onde trabalhava no conserto de um vazamento na telha.
Fraturei clavícula, perfurei pulmão e sofri lesão medular tronco-lombar completa deixando-me paraplégica.
Por conta das infecções no pós-operatório abriram minha coluna três vezes e a mesma ficou torta, resultando numa escoliose à direita.
(Tenho 18 parafusos - 2 estão soltos e doem muito - e duas hastes de titâneo sustentando minha coluna. Não tenho controle de tronco e há 2 anos uso sonda de demora).
Depois, a infecção da coluna desceu para o quadril direito e foi negligenciada. Passei três meses pedindo socorro e somente no final do terceiro mês abriram meu quadril e constataram osteonecrose na cabeça do fêmur, que resultou no encurtamento da minha perna direita evoluindo para osteomielite crônica aguda.
Resultado: quase um ano e meio sendo perfurada para receber antibióticos. Também ganhei três úlceras de pressão que ainda estou tratando, sob muita dor.
Tudo isto, num hospital particular da minha cidade, onde mantenho convênio de assistência médica do próprio hospital.
É a vida. Como você bem escreveu no seu livro: os gatos se afastam, fingem que somos invisíveis, e os amigos leais não nos deixam desistir, jamais.
Diferente de você, não casei e não tenho filhos. Quando se é pai ou mãe se tem mais força e determinação para lutar, mesmo em meio a tanta dor e sofrimento.
Minha força está em Deus e em minha incansável mãe, Fany Pecchio, com 91 anos cuidando de mim.
Mesmo desanimada, penso que quanto melhor eu estiver mantenho a harmonia dos entes queridos, mesmo que eles não tenham tempo para mim, é o certo. 
Numa cidade grande, o tempo para cuidar do próximo e cultuar valores é consumido na luta pela própria vida.
O trabalho e o esforço para vencer a distância e o congestionamento entre a casa e o serviço deixam todos fadigados, com o foco sobre si mesmos.
Bem, igual a você, antes do acidente também me aventurei pela literatura infantil, com transcrição em braile, tinta ampliada e audiolivro. É um trabalho independente, editado por mim e pioneiro no Brasil em acessibilidade à leitura.
Foi uma alegria saber sobre você e ler a sua encorajadora autobiografia.
Um beijo carinhoso para você, Susy, Isys e quataenses.
Gisele Pecchio
(*) O escritor Erival Marques Jr. é palestrante nas escolas, empresas e demais entidades interessadas em temas motivacionais, como a superação na luta pela vida e facilitador em programas voltados a adolescentes e jovens em grupos de risco.

21/04/2012

Mara Gabrilli escreve para Gisele

Gisele,

Querida, parabéns por essa força!

Às vezes, as coisas parecem estar fora dos eixos,

Uma pessoa disciplinada como você, que continua persistindo em acertar, subitamente descobre que por entre linhas tortas o mundo se acertou.

Aí vai uma frase do nosso ex super-homem Christopher Reeve, já falecido, que um dia me tocou muito fundo: At first, dreams seem impossible, then improbable, and eventually inevitable” tradução: Primeiro, os sonhos parecem impossíveis, depois improváveis e, eventualmente, inevitáveis”.

Um beijo

Mara
Enviado via iPad

Gisele Pecchio escreve para Mara

Mara,
Boa tarde!

Desde o nosso último contato não mais retornei na AACD-Osasco.

Não faço terapias, somente passo por avaliações de enfermagem por causa das feridas e, para piorar, Osasco só tem dois carros adaptados para cadeirantes e não foi possível me atender na última consulta.

Tenho falado com a Cida (Cadê Você), sobre minhas aflições e o desejo de sair desta situação que, em parte, me imobiliza. Sinto que preciso ficar em casa e tenho lutado muito para aqui ficar e conseguir me reabilitar. Tenho uma mãe de 91 anos que é lúcida, trabalhadora e fazedora como eu fui até me acidentar em março de 2010. Lutei para vencer a morte, a solidão e a inércia no hospital onde fiquei oito meses internada. Tudo para estar aqui em casa, onde consigo manter as contas pagas, a organização de cada dia de sobrevivência minha, da mamãe e do poodle Toby, resgatado do abandono por mim e que aqui nos retribui com sua total lealdade e alegria de estar compartilhando as dores, as alegrias, as vitórias, as noites bem ou mal dormidas, os dias cheios de problemas para serem vencidos, sem as condições de antes do acidente.

O Brasil precisa investir em Gente pra cuidar de Gente. Vivo aos sobressaltos, ansiosa, tensa porque não consigo mão-de-obra comprometida para cuidar de mim, das transferências, dos suores intensos que os médicos não explicam a causa. Pago sempre direitinho, ajudo muito, ensino a cuidar de mim mas...

Não saio de casa porque sinto dores na coluna, nas feridas e na cabeça, especialmente quando tenho espasmos e meus nervos se contraem involuntariamente. Não perco uma consulta médica e com a psicóloga do convênio, mesmo que custe vômitos e dores no transporte de ambulância. Sei que é a ansiedade de não errar, de fazer bem feito, de estar sempre tendo que ensinar as pessoas como cuidar de mim. Sei que é por amor a quem me ama e a quem amo, incondicionalmente, e cuja vida depende da minha presença nesta casa.

Escrevi, escrevi, escrevi para desabafar e tentar encontrar um rumo certo. Agora, mais do que nunca, não posso errar. Preciso de gente para cuidar de mim. Preciso ter a chance de viver com uma certa independência. Conseguir sair da cama e da cadeira sozinha e por fim às úlceras e a dor física e psíquica já que por obra e graças à bondade de Deus tenho conseguido manter um certo equilíbrio e paz espiritual graças a anjos como mamãe e a tantos anjos que têm passado por aqui e tentado dar o seu melhor, mesmo que o combinado é que amanhã não é certo se terei alguém aqui para me auxiliar a sair da cama.

Precisamos do conforto de objetos ortopédicos para minimizar a dor do corpo. Precisamos, ainda mais, de Gente pra cuidar da Gente. Como organizar isto, meu Deus? Como poderemos avançar ainda mais? Nenhuma tecnologia substitui o ser humano no caminho da superação da dor e para se evitar o que mais preconiza a lei: institucionalização, Não!

17/04/2012

Cadeirantes de Osasco precisam de mais transporte adaptado

Minha próxima consulta na AACD foi remarcada para o dia 16 de maio. Já solicitei o agendamento do transporte Servindo. Peço a Deus que desta vez dê tudo certo. O Servindo é um excelente serviço; o atendimento é cordial e os motoristas são muito bem preparados. Seria ótimo investir na compra de mais veículos adaptados e dar incentivo às cooperativas de taxistas de Osasco para que ofereçam carros adaptados aos cadeirantes.

28/03/2012

Osasco precisa de mais transporte adaptado

Neste momento eu deveria estar a caminho da AACD para acompanhamento de enfermagem das minhas úlceras de pressão. Infelizmente o transporte adaptado Servindo, da CMTO, não pôde levar-me, embora tenha agendado. Ao ligar para o serviço, para confirmar o horário que viriam me buscar, disseram que não foi possível me atender.São somente dois carros para atender a todos os munícipes, sem mobilidade, no transporte para consultas médicas. Tenho paraplegia e trato destas feridas para poder fazer fisioterapia e ter alguma chance de voltar ao trabalho e à vida normal, mesmo com as minhas deficiências e limitações motoras.
Senhores vereadores e gestores da mobilidade urbana de Osasco, precisamos de mais veículos adaptados e refazer calçadas e ruas. Em São Paulo é lei a adaptação de ruas, calçadas e acessos aos espaços públicos e privados. Por favor, precisamos da atenção dos senhores para termos alguma chance de igualdade de oportunidade ao trabalho, atendimento médico e lazer. As eleições estão aí. Quem está de fato trabalhando em favor dos deficientes físicos, idosos e pessoas com algum tipo de necessidade especial para viver?